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sábado, 18 de novembro de 2017

O género


Compreender as raízes e objectivos da denominada ideologia do género passa necessariamente por entender o que se conhece por marxismo cultural, ou a teoria crítica da sociedade. O ensino neomarxista, ou marxismo ocidental, a teoria crítica da sociedade, é considerado o conjunto das correntes nascidas nos anos vinte do século XX, em torno das teses de Gyorgy Luckács (1885-1972), Karl Korsch (1896-1961), Ernst Bloch (1885-1977), e Antonio Gramsci (1891-1937). O essencial do modelo está na tese de Antonio Gramsci (comunista italiano) sobre a sociedade civil, considerada como o domínio das superstruturas culturais e ideológicas. O mal não reside no indivíduo, bom por natureza, mas tão somente no sistema instalado, a saber a civilização ocidental burguesa e cristã. Contrariamente ao marxismo tradicional que visa a tomada do poder directamente através da luta armada pelo proletariado, os proponentes do neomarxismo acreditam que a cultura ocidental não pode ser atacada de frente, como o tentou sem êxito o comunismo tradicional, mas precisa de ser implodida, anónima e gradualmente Não segundo a via estalinista, mas disfarçadamente. Gramsci propõe o “Admirável Mundo Novo” de Huxley, com a mudança do indivíduo a partir do seu interior, e não o “1984” de Orwell onde a monitorização e vigilância do Big Brother não impedem a consciência de se proteger. Embora haja diferenças entre o conceito de Marx para o qual a arena decisiva da luta de classes era o controlo dos meios de produção (sub-estrutura) e não a batalha de ideias e que os ataques à cultura por parte dos neomarxistas denotasse um abandono do marxismo original, vamos chamar a esta escola de Marxismo Cultural dado que este nome é o comummente usado e trás consigo a ideia da transformação da sociedade através de uma revolução pelas colunas da cultura.

 Para implementar a sua ideologia Gramsci descobriu os três pilares culturais ocidentais que teriam de desabar: a ética judaico-cristã (fé no Deus de Israel), a filosofia grega (a razão filosófica, a razão aristotélica é considerada uma prática burguesa) e o direito romano (pensamento jurídico). A actual batalha cultural expressa-se na destruição destes três fundamentos (curiosamente o apóstolo Paulo expressava-se dentro destes paradigmas, pela sua fé, seu raciocínio lógico, sua defesa enquanto cidadão romano). Consegue-se descortinar as actuais tentativas modernas de abolição destes três pilares se considerarmos a luta contra o Cristianismo e seus princípios morais, a oscilação do pensamento lógico para um niilista, existencialista, a polilogia típica do pensamento marxista e a subversão do direito que introduziu a codificação, a questão dos bens, das sucessões, entre muitas outras indispensáveis ao actual sistema capitalista. 

 Com a gradual queda do conceito de classe operária oprimida, ou proletariado, e a ascensão da classe média devido ao avanço do sistema capitalista, o marxismo cultural cuja agenda é o  desencadear uma revolução precisamente através da classe proletária oprimida no sentido de transformar o mundo pela eliminação de classes sociais, das desigualdades, da classe dirigente opressora, teve de encontrar novas “classes” de oprimidos, uma nova bandeira, a fim de fazer avançar a sua luta ideológica. Inventou-se assim o termo “excluídos”. Todo o ser humano se sente excluído de algo e isso sempre provoca insatisfação. Este é o combustível ideal para a revolta ideológica do marxismo. E que maior revolta pode haver do que a sociedade conservadora moldada pela moral judaico-cristã discriminar as escolhas sexuais individuais? Sob pretexto de justiça e equidade, virtudes essencialmente cristãs, os inimigos do cristianismo apoiam-se precisamente nelas para destruir o que as concebeu.  

 A ordem da Criação mesmo antes da queda no Éden já preconizava o trabalho, a família, o governo, a diferença de sexo, a autoridade. “Macho e fêmea (Deus) os criou”, relatam as Escrituras. Existe no desígnio divino uma clara distinção de género e embora essa distinção diante de Deus se apague (Gálatas 3.28), não é menos verdade que ela existe. Os principais mandamentos da ideologia do género, na sua tentativa de implementar uma nova crença progressista e anti-cristã, consistem na premissa que não há diferenças entre homens e mulheres, no libertar a mulher da opressão de uma sociedade patriarcal, emancipá-la da “discriminação”, que o papel tradicional da mulher no lar seria apenas uma construção social burguesa; o sexo biológico é modificável, é um dado transitório e maleável que pode ser transformado de acordo com a opção de cada um; a família nuclear e tradicional é um estereótipo, a família natural, segundo os ideólogos do género, será apenas uma norma social baseada na antiga opressão do homem sobre a mulher agora superado pela abstracção do género, o plural “famílias” passa a ser obrigatório e na lista entram, obviamente, todos os relacionamentos “poli-afectivos” redimidos da sexualidade tradicional; a paternidade é “dessexualizada”, se a família natural não passa de uma construção social, a consequência será a paternidade dessexuada. Os filhos deixam de ser fruto de uma sexualidade entre macho e fêmea para serem artificialmente concebidos In Vitro, em barrigas de aluguer. Falar da educação dos filhos por um casal homem-mulher é considerado ofensivo, porque tradicional e burguês. Os casais homossexuais são doravante erigidos em modelo de educação, não obstante as sérias objecções daí decorrentes; a classe falante (Pierre Bourdieux), os meios de comunicação social, são conquistados por uma minoria que eclipsa totalmente uma maioria mais conservadora e tradicional que não tem quem a represente e, consequentemente, é provocada a impressão de que a maioria conservadora é na verdade uma minoria. Existe uma óbvia tentativa de eliminar o cristianismo e substituí-lo por uma religião baseada no racionalismo e determinismo histórico, tendo o Estado omnipresente e omnipotente como seu deus e uma elite auto-eleita como seus profetas. O paraíso seria aqui e agora, na Terra, proposto por novos princípios humanistas, racionalistas e condicionados pela marcha inexorável do determinismo histórico.  

 O Marxismo Cultural, neste caso, trata-se de mais uma religião. Uma autêntica devoção com os seus dogmas, os seus profetas, o seu deus (o Estado), o seu paraíso (a Terra sob o marxismo globalizado). Ele é sempre um programa global, universal e necessita também de uma religião global e universal, ecuménica. As profecias serão cumpridas e o Cristianismo terá de ser globalmente ostracizado, cristianismo que está na origem da liberdade individual, do trabalho meritório, do direito à propriedade privada, do direito à vida, da ideia do pecado, da Lei Natural, da família tradicional base da sociedade. Gramsci entendeu claramente que  enquanto o cristianismo não fosse destruído e permanecesse uma tradição vincada no Ocidente não haveria nenhuma revolução proletária. A História o comprovou.

sábado, 28 de abril de 2012

O que para aí vem...


A teoria de uma conspiração universal destinada a estabelecer uma nova ordem mundial não é propriamente uma novidade. Essa tendência, de uma maneira ou de outra, já teve eco em quase todas as eras. Desde os primórdios da humanidade que o Homem sonha a conquista, a dominação, o estabelecer a sua própria ordem e regras. Os impérios, as colonizações são meras sombras de uma vontade inata de subjugar o Homem pelo Homem, de fazer prevalecer, a maior parte das vezes pela força, os usos e costumes do mais forte retirando daí dividendos materiais, sociais e morais.

O que distingue a sede de conquista do antes e do agora é a sua universalidade e meios disponíveis. Universalidade porque o planeta está encurtado devido à proximidade facultada sobretudo e principalmente pelos meios de comunicação. Quando a figura do Cristiano Ronaldo se torna mais familiar que a do nosso vizinho do lado então é porque alguma coisa de inédito se está a passar. São estes mesmos meios disponibilizados por uma “sociedade onde o poder é inseparável da riqueza e a riqueza é inseparável da velocidade. Não poder democrático, mas poder domocrático – do grego dromos, corrida – e toda a sociedade é uma sociedade de corrida” (Paul Virilio) que está fazendo desta sociedade uma sociedade cosmopolita global. Mesmo a democracia deve a sua expansão à influência do progresso das comunicações a nível global.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

10 considerações sobre a Igreja actual

Ninguém pode, em toda a honestidade, negar a realidade de uma crise na Igreja da Europa. O fechar os olhos à crise eclesiástica não é uma prova de amor, pois o verdadeiro amor não aceita cega e passivamente os defeitos do ser amado. Qualquer observador atento concorda que existe uma verdadeira perturbação na Igreja europeia. Como se manifesta esta crise?

1. A descristianização da Europa. “Deus está morto”, escreveu Nietzsche e é este o refrão que ecoa na existência de uma sociedade anestesiada pelo conforto, abundância e luxúria. O Paraíso tem-se tornado um subúrbio da grande cidade Terra e a existência terrestre tem sido a única realidade presente. A maior tarefa que o europeu emprega neste século XXI é de tornar esta existência o mais prazenteira possível. Todo o pensamento humano se tem tornado existencialista, todos os seus esforços se têm concentrado no melhoramento das condições da vida presente.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cristianismo contemporâneo


Grande parte dos argumentos apresentados pelos proponentes de mudanças drásticas na liturgia, música e estilo na Igreja de Cristo provêm da teoria das zonas cinzentas. Segundo eles, as zonas cinzentas, áreas de incerteza prática e/ou teológica são um justificativo para operar medidas de transformação no que etiquetam de velho, rotineiro ou desmodado. Consciente ou inconscientemente – esta última devido a deficiências no ensino bíblico – os actores da igreja contemporânea elegem esta última como um palco por excelência para as suas actividades modernas em busca de granjear mais e mais indivíduos para os bancos da Igreja. O que não têm noção é que o cinzento é apenas a mistura do branco e do preto que povoa o texto bíblico desde o Génesis até ao Apocalipse e que Deus explana todo o seu ensino em termos dualísticos, ou seja, em branco e preto: bênção/maldição, amor/ódio, vida/morte, pecado/santidade, Deus/diabo, bem/mal.

Sob pretexto de “querer” salvar ou contribuir para a salvação de almas, o crente contemporâneo faz uso de toda a panóplia de técnicas e recursos existentes que bastantes provas têm dado no mundo das vendas e do marketing. O refrão é: “não devemos chocar os descrentes”, “devemos dar-lhes o que eles querem”, “devemos fazer com que a Igreja seja um local prazenteiro para eles”. Bastante pragmáticos, eles acarinham a máxima de que “os fins justificam os meios”.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Relativismo - Conclusão

Finalmente - e o mais importante de tudo -, a conclusão. Qual é a causa e qual é a cura para o relativismo moral? A origem do relativismo moral não é um argumento e, portanto, a sua cura não será uma refutação de um argumento. Nem a Filosofia, nem a ciência, nem a lógica, nem o senso comum, nem experiência alguma vez refutaram o absolutismo moral tradicional. Não é a razão, mas a abdicação da razão que está na origem do relativismo moral. Relativismo não é racional, apenas é racionalização. Não é a conclusão de um argumento racional. É a racionalização de uma acção prévia. É o repudiar do princípio segundo o qual as paixões devem ser avaliadas pela razão e controladas pela vontade. Aquela virtude a que Platão e Aristóteles chamavam autocontrolo. Não é uma das chamadas virtudes cardeais, mas um ingrediente necessário em cada virtude. Esta suposição clássica é quase a definição de civilização. Mas os românticos, existencialistas, Freudianos e muitos outros convenceram muita gente na nossa cultura que o absolutismo moral é opressivo e insalubre. Se abraçarmos o princípio oposto e deixarmos que a paixão governe a razão, em vez de que a razão oriente a paixão, há pouca esperança de moralidade ou de civilização.

Obviamente, a coisa mais possante e atraente das paixões são as de carácter sexual. São, portanto, também as mais viciantes e densas. Assim, dificilmente poderia haver um enfraquecimento mais poderoso do nosso conhecimento e vida moral do que a revolução sexual. Já a procura de liberdade sexual tem substituído um dos instintos mais fortes da natureza: a maternidade. Milhões de mães contratam anualmente os serviços de assassinos profissionais legais, chamados médicos ou enfermeiros, a fim de matar os seus próprios bebés por nascer. Apenas é possível pelo impulso fundado em motivos sexuais que é dado ao aborto. Pois o aborto é o controlo dos nascimentos e o controlo da natalidade é a exigência para ter relações sexuais sem ter bebés. É o desfrutar do pecado sem acartar com as suas consequências. Temos saudades da cegonha que trazia os bebés de Paris e que foi substituída por um controle de natalidade apresentado em Powerpoint.

O divórcio é um segundo exemplo do poder da revolução sexual que mina os princípios morais fundamentais. Suponha que haja alguma prática, não relacionada com o sexo, a qual teria os seguintes resultados documentados: em primeiro lugar, traindo a pessoa que você alega mais amar, a pessoa a quem você tinha prometido sua vida, traindo sua promessa solene; em segundo lugar, o abuso moral dos filhos que criou e prometeu proteger, criando cicatrizes mais infinitamente profundas nas suas almas que qualquer outra coisa excepto o directo e violento abuso físico, tornando-se muito mais difícil para eles o alcançar vidas felizes ou casamentos; em terceiro lugar, prejudicar, minar e destruir provavelmente a sociedade futura. Esta prática não deveria ser universalmente condenada? No entanto, é exactamente isto o que o divórcio é e é universalmente aceite. É curioso que a traição é geralmente condenada a menos que essa mesma traição seja de índole sexual! A Justiça, a honestidade, o não prejudicar ninguém, são sempre princípios morais universalmente aceites, a menos que interfiram com o sexo.

O resto da moralidade tradicional ainda é amplamente admitida e ensinada mesmo em séries da TV, telenovelas e filmes de Hollywood. A força motriz do relativismo moral parece ser quase exclusivamente de ordem sexual. O “porque deve ser” e o que nós devemos fazer sobre isso são duas outras questões que exigem muito mais tempo e reflexão. Mas se você quiser uma curta suposição numa resposta a ambas, esta é a melhor conclusão. Penso que um secularista apenas deixou um substituto de Deus, apenas uma experiência num mundo dessacralizado que ainda lhe dá algo como a emoção mística, uma vibração auto-transcendente do êxtase para a qual Deus criou todas as almas. A menos que ele seja um surfista ou um drogado, essa experiência tem que ser o sexo. Nós fomos concebidos para algo mais que a felicidade; estamos destinados à alegria. Tomás de Aquino escreve com lógica simples, "o Homem não pode viver sem alegria. Alguém privado das verdadeiras alegrias espirituais tem de se compensar com os prazeres carnais".

Drogas e álcool são atraentes, porque eles declaram alimentar a mesma necessidade. Faltando-lhes, porém, a grandeza ontológica do sexo, eles fornecem a mesma emoção semi-mística: a transcendência da razão e consciência de si mesmo. A afirmação não é referida como condenação moral, mas como análise psicológica. Na verdade, e embora possam parecer chocantes, o viciado está mais próximo da profundeza da Verdade que o mero moralista. Ele está olhando para o melhor da coisa em alguns dos piores lugares. A exigência de um psíquico no qual ele transcenda a moralidade é muito errado, mas simultaneamente muito correcto. Porque fomos projectados para algo além da moralidade, algo em que moralidade será transformada: a união mística com Cristo. O sexo é apenas a prefigura. Os absolutistas morais jamais esquecem que a moralidade, embora absoluta, não é definitiva. Não é o nossa Summum Bonum. O Sinai não é a terra prometida; é Jerusalém. E na nova Jerusalém, o que finalmente acontece como último capítulo da história da humanidade, é um casamento entre o Cordeiro e sua noiva. Privado desta Jerusalém, tem de se comprar na Babilónia. Se nós não adoramos a Deus, adoramos os ídolos, mesmo que esse ídolo se possa revestir da imagem de Deus, pois somos por adoradores da natureza.

Finalmente, qual é a cura? Ela tem de ser um remédio mais forte do que a filosofia. Assim, em três palavras, a resposta a esta última e também mais prática questão. O que podemos fazer em relação a isso? Qual é a cura? Essas três palavras são totalmente banais. Elas não são um argumento filosófico, mas exigências bíblicas de Deus: arrependimento, Palavra de Deus e oração. Confissão, santidade, adoração. Não há nenhuma outra resposta e não se pode pensar em mais nada para salvar esta civilização a não ser na Igreja e seus Santos a proclamarem a Palavra da Verdade. Descrição: http://www.microsofttranslator.com/static/img/tooltip_logo.gif?156769Descrição: http://www.microsofttranslator.com/static/img/tooltip_close.gif?156769

(Adaptado)
Original
Neither philosophy nor science nor logic nor common sense nor experience have ever refuted traditional moral absolutism.

domingo, 23 de outubro de 2011

Relativismo 11 - Pelo absolutismo moral: a linguagem moral

Em quinto lugar, temos o argumento da linguagem moral. Este argumento é bastante óbvio e é usado por C. S. Lewis no início do seu livro “Mere Christianity”. É baseado na observação do que as pessoas falam. Elas não se limitam a batalhar, elas falam sobre o certo e o errado. Isto é, elas agem como se acreditassem no objectivamente real e nos princípios morais universalmente vinculadores. Se apenas desejos subjectivos e paixões humanas estivessem envolvidos, tratar-se-ia meramente de uma competição de força entre pessoas, ou somente de paixões concorrentes dentro de uma pessoa. Se estou com mais com fome do que cansado, eu vou comer, se estou mais cansado do que faminto, vou dormir. Mas nós dizemos coisas como: "Isso não é justo”, ou, "que tem a ver com isso?" Se o relativismo fosse verdadeiro, o argumento moral seria tão estúpido quanto o seria discutir sobre sentimentos: "sinto-me óptimo" ou "não, sinto-me mal".

Na verdade, a linguagem moral que todos nós usamos diariamente - linguagem que elogia, culpa, aconselha ou comanda -, seria estritamente inútil e sem sentido se o relativismo fosse verdade. Nós não elogiamos ou culpamos agentes não-morais como, por exemplo, as máquinas. Quando a máquina automática dos sumos em lata rouba o nosso dinheiro sem entregar uma lata de sumo, não podemos argumentar com ela, chamá-la pecadora, ou dizer-lhe para se ir confessar. Nós pontapeamo-la. Assim, quando alguns dos nossos psicólogos nos dizem que somos apenas máquinas muito complexas eles estão apenas afirmando que a moralidade é apenas um pontapé muito complexo. Isso é tão absurdo que nem sequer merece um debate. Penso que isto apenas merece uns pontapés, o que é, nem mais nem menos, praticar o que pregam: pontapear, mas de forma honesta. O argumento é simples: a linguagem moral é significativa, não existe sem sentido. Todos nós sabemos disso. Sabemos como usá-la e praticamo-la. O relativismo não pode explicar este facto.

sábado, 22 de outubro de 2011

Relativismo 10 - Argumento AD Hominem

Em quarto lugar, temos o argumento ad hominem. Mesmo os relativistas reagem sempre com um protesto moral quando são tratado imoralmente. O homem que apela para o princípio relativista de "eu tenho que ser eu", que justifica quebrar sua promessa de fidelidade à sua própria esposa ao deixá-la por outra mulher, quebra a sua fidelidade ao seu próprio princípio relativista, quando sua nova esposa usa esse mesmo princípio para justificar o acto de o deixar por outro homem, quando o seu argumento se volta contra ele. Isto não é excepcional, mas típico. Parece que a origem do relativismo releva mais da ordem pessoal do que filosófica. Tem a ver mais com a hipocrisia que com a hipótese. 

A contradição entre teoria e prática é evidente, mesmo no acto relativista do ensino do relativismo. Porque é que os relativistas ensinam e escrevem? Para convencer o mundo que o relativismo é certo e o absolutismo errado? Certamente certo e realmente errado? Se assim for, então existe um realmente “certo” e um realmente “errado”. Qual o padrão de juízo? E assim não for, então não há nada de errado em ser um absolutista, e nada certo em ser um relativista. Então porque é que os relativistas escrevem e ensinam? Realmente, tendo em conta todos os seus esforços em pregarem o seu evangelho para livrar a humanidade das falsas e tolas repressões do absolutismo, poder-se-ia pensar que eles realmente acreditam neste seu evangelho dogmaticamente relativo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Relativismo 9 - Pelo absolutismo moral, a experiência moral.

Em terceiro lugar, existe o argumento da experiência moral. Este é o argumento mais forte e mais simples, creio eu, para o absolutismo moral. Na verdade, ele é tão forte que parece uma encargo forçado e não natural o facto de o tentar configurar em forma de argumento - é mais correcto considerá-lo como um dado primário, ou adquirido. A primeira e fundamental experiência moral é sempre absolutista. Só mais tarde na vida do indivíduo, ou da sociedade, a sua sofisticação sugere o relativismo moral. Cada um de nós lembra-se da primeira experiência da infância do sentir-se moralmente obrigado. De esbarrar contra uma inabalável muralha moral. Esta memória está consagrada nas palavras "deve", "não deve", "certo" e "errado".

Toda e qualquer pessoa tema experiência da obrigação moral.

O absolutismo moral é, claramente, baseado na experiência. Por exemplo, digamos que você prometeu ontem à noite ao seu amigo que iria ajudá-los às 8H00 desta manhã. Vamos supor que ele tem que fazer mudanças na casa antes do meio dia. Todavia, você foi para casa às 03H00 da noite. E quando o despertador toca às 7H00, você está cansadíssimo. Você pode experimentar duas coisas: o desejo de dormir, e a obrigação de se levantar. Os dois são genericamente diferentes. Pode não sentir alguma obrigação de dormir, e nenhum desejo de se levantar. É levado, de certa maneira, pelo seu próprio desejo de dormir, e igualmente levado de uma maneira muito diferente, por aquilo que você acha que deveria fazer. Seus sentimentos aparecem de dentro para fora, por assim dizer, enquanto que a sua consciência é advertida de fora para dentro. Dentro de você reside o desejo de dormir, e isso pode levá-lo à acção externa de desligar o alarme e rastejar de volta para a cama, o errado. Mas, se se levantar para cumprir a sua promessa que fez ao seu amigo é porque você optou por responder a uma coisa de um tipo diferente: a qualidade moral percebida do acto de cumprir sua promessa, ao contrário da qualidade moral percebida do acto de se recusar a cumpri-la. O que você percebe como certo, ou obrigatório – levantar-se da cama – vem de fora, de um acto externo a você, da natureza do próprio acto. Mas o desejo que o seduz nesse momento - voltar a dormir - vem de dentro de você, da sua pessoa, da sua própria natureza. A obrigação moral move o indivíduo como um causa final, um fim em si mesmo, a partir de cima e para frente, por assim dizer. Os seus desejos movem-no como uma fonte, como uma causa eficiente, a partir de baixo, ou para trás, por assim dizer.

A experiência moral fundamental consiste em dados primários, adquiridos. Pode ser negada, mas apenas como algumas filosofias estranhas podem negar a realidade imediatamente percebida pelos nossos sentidos. O relativismo moral é para a experiência moral o que o ensino da Ciência Cristã é para a experiência da dor, doença e morte. Dizem-nos que estas experiências são ilusões que devem ser superadas pela fé. Assim, o absolutismo moral é empírico, enquanto que o relativismo moral não é mais nem menos que um dogma de fé.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Relativismo 8 - A Tradição

Em segundo lugar a favor do absolutismo, o argumento da tradição. Este argumento deve apelar para os igualitaristas que se defendem contra o absolutismo, porque seria, de alguma forma, relacionado com o snobismo. É exactamente o oposto. O absolutismo é moralidade tradicional e a tradição é o igualitarismo estendido na história.

O absolutismo é a norma na História da humanidade

Para ser um relativista, você tem de ser snob, pelo menos sobre este assunto de importância central. Para aderir a uma pequena minoria quase totalmente concentrada numa única cultura: o Ocidente moderno, ou seja, branco, democrático, industrializado, urbanizado, com formação universitária, secularizado, apóstata, resumindo, a sociedade pós-cristã. Para ser relativista, você deve acreditar que quase todos os seres humanos na História tiveram de ordenar a sua vida por uma ilusão. Mesmo sociedades como a nossa, que são dominadas por especialistas de opinião popular relativista, ainda tendem para o absolutismo moral. Tal como os comunistas, os relativistas fingem ser o partido do povo, quando na verdade desprezam a filosofia dos povos. Na verdade, há uma geração atrás, uma minoria de elitistas relativistas que ganharam o poder dos meios de comunicação têm implacavelmente imposto o relativismo elitista na opinião popular, acusando a opinião popular, isto é, o elitismo da moralidade tradicional.

domingo, 16 de outubro de 2011

Relativismo 7 - Consequências e defesa do absolutismo

Primeiro, o argumento pragmático das consequências. Se o relativista argumenta contra o absolutismo pelas suas supostas consequências, a intolerância, pode-se argumentar contra o relativismo pelas suas consequências reais. Consequências são, pelo menos, um indicador relativo. Elas são pistas. Boa moralidade deve produzir boas consequências e má moralidade, más consequências. Bem, é bastante óbvio que a principal consequência do relativismo moral é a remoção de impedimentos morais. Assim como as consequências de "fazer a coisa certa" é fazer a coisa certa, assim as consequências de "se se sente bem, fá-lo" é fazer o que nos agrada. Não é preciso ter um doutoramento para chegar a esta conclusão. Na verdade, às vezes dá-me a impressão que será preciso um doutoramento para não a discernir.

Todos os actos e atitudes imorais, com a possível excepção de inveja, são agradáveis. Segundo o velho ditado “Ou faz mal ou é pecado”. Essa é a principal razão para praticá-las. Se o pecado não parecesse ser divertido, todos nós seríamos santos. O relativismo nunca produziu um santo. Essa é a refutação pragmática aos relativistas. O mesmo vale para as sociedades. O relativismo nunca produziu uma boa sociedade, apenas más. Compare a estabilidade, longevidade e felicidade das sociedades assentes nos princípios da moral relativista como as de Mussolini ou Mao Tse Tung, com as sociedades fundadas em princípios da moral absolutistas como Moisés ou mesmo Confúcio. Uma sociedade de relativismo moral dura, em geral, uma geração. Os mil anos do Reich de Hitler não duraram muito tempo.
Esta citação deveria ser conhecida por todos os tribunais, governos e povos:

Tudo o que tenho dito e feito nestes últimos anos é o relativismo, por intuição. O facto de que todas as ideologias são de igual valor, que todas as ideologias são meras ficções, o relativista moderno infere que todos têm o direito de criar para si mesmos a sua própria ideologia e tentar impô-la com toda a energia de que for capaz . Se o relativismo significa desprezo por categorias fixas e peos homens que se dizem portadores de uma verdade objectiva e imortal, então não há nada mais relativista do que o fascismo - Benito Mussolini

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Relativismo 6 - Situacionismo

Um sexto e último argumento do relativismo é que as situações são tão diversas e complexas que não parece nem razoável nem realista circunscrevê-las às normas morais universais. Matar pode mesmo ser bom se a guerra for necessária para a paz. O roubo pode ser bom se se roubar uma arma a um louco. Até mentir pode ser bom se mentir aos nazis sobre onde estão escondidos os judeus. O argumento é essencialmente este: a moralidade é determinada por situações e as situações são relativas. Portanto, a moralidade é relativa. Um argumento intimamente relacionado pode ser considerado em que a moralidade é relativa porque ela é determinada pela motivação. Todos nós culpamos alguém por tentar assassinar outra pessoa, mesmo que não tenha sucesso na sua acção, simplesmente porque sua motivação é errada. Mas não culpamos moralmente de assassinato alguém por matar outra pessoa acidentalmente. Por exemplo, como dar doces a uma criança quando não se tem maneira nenhuma de saber que ela é seriamente diabética. Portanto, o argumento é, essencialmente, que a moralidade é determinada pelo motivo, e o motivo é subjectivo, portanto a moralidade é subjectiva.

A moralidade é parcialmente, mas não totalmente, determinada por situações.

Assim a situacionista e o motivacionista concluem ambos contra absolutos morais. O situacionista porque encontra toda a moralidade relativa à situação, o motivacionista porque ele localiza toda a moralidade relativa ao motivo. Nós respondemos com uma distinção de senso comum. Moralidade é, de facto, condicionada ou parcialmente determinada, por situações e motivações, mas não é inteiramente determinada por situações ou motivações. A moralidade tradicional no senso comum envolve três determinantes morais, três factores que influenciam se uma lei específica é moralmente boa ou má. A natureza do próprio acto, a situação e o motivo. Ou, o que você faz, quando, onde e como você o faz e por que razão você o faz. É verdade que ao fazer a coisa certa na situação errada, ou pelo motivo errado, não é bom. Fazer amor com a sua esposa é uma boa acção, mas já não o é fazê-lo quando é medicamente perigoso. O acto é bom, mas não nesta situação. Dar dinheiro aos pobres é uma boa acção, mas fazê-lo apenas para se exibir já não é. O acto é bom, mas o motivo não é.

No entanto, deve primeiro haver uma acção antes de poder ser qualificada por motivos subjectivos ou situações relativas e que certamente é também moralmente relevante. A vida é como uma boa obra de arte. Uma boa obra de arte exige que todos os seus elementos essenciais sejam bons. Por exemplo, uma boa história deve ter um bom enredo, boas personagens e um bom tema. Por isso uma boa vida requer que você faça a coisa certa, o acto em si; que tenha uma boa razão ou motivo; que você o faça pela via certa. Além disso, situações, embora relativas, são objectivas, não subjectivas. E as motivações, embora subjectivas, evidenciam absolutos morais. Eles podem ser reconhecidos como intrinsecamente e universalmente bons ou maus. A vontade de ajudar é sempre boa, a vontade de prejudicar é sempre má. Assim, até o situacionismo é uma moralidade objectiva, e até mesmo o motivacionismo ou o subjectivismo são uma moral universal.

O facto de que princípios devem ser aplicados de forma distinta a diferentes situações pressupõe a validade desses mesmos princípios. Os absolutistas morais não necessitam de ser absolutistas relativamente à aplicação em situações. Eles podem ser flexíveis. Mas uma aplicação flexível da norma pressupõe não só uma norma, mas uma norma rígida. Se o padrão é tão flexível quanto a situação, então não se trata de padrão. Se o critério com que medir o comprimento uma serpente for tão torto como essa serpente, será impossível de a medir jacaré em condições. Os critérios têm de ser rígidos. E os absolutistas morais não devem ser juízes dos motivos, apenas dos actos. Quando Jesus disse: "Não julgai para não serdes julgados" certamente quis dizer "não pretendais julgar corações e motivações, coisa que só Deus pode saber". Ele certamente não quis dizer, "Não julgueis os actos. Não discrimineis moralmente agressão de defesa, matar de curar, roubar de caridade". Na verdade, é apenas o Absolutista moral, e não o relativista, que pode condenar o julgamento da motivação, uma vez que só ele pode condenar a intolerância. O relativista pode apenas condenar o Absolutismo moral.

(Adaptado)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Relativismo 5 - Tolerância

Um quinto argumento, igualmente comum hoje em dia, é que o relativismo moral é tolerante, enquanto que o absolutismo é intolerante. Actualmente, a tolerância é um dos poucos valores sem controvérsias. Quase toda a nossa sociedade o aceita. Portanto, é um poderoso ponto de venda para qualquer teoria ou prática que o possa reivindicar. Em que consiste esta reivindicação do relativismo quanto à tolerância? Existem nada menos do que sete falácias neste argumento popular.

Em primeiro lugar, que fique claro o que queremos dizer com tolerância. A tolerância é uma qualidade de pessoas, não de ideias. Ideias podem ser confundidas, difusas, mal definidas ou erradas, mas isto não as torna tolerantes ou intolerantes, mais do que a sua clareza ou exactidão as poderiam tornar intolerantes. Se um carpinteiro tolera 0,5 cm de um desvio do plano, ele é duas vezes mais tolerante do que aquele que tolera somente 0,25 cm, mas ele é não menos claro. Um professor pode não tolerar nenhuma dissidência de seu ponto de vista difuso e mal definido — um marxista, digamos — enquanto outro, por exemplo Sócrates (o filósofo), pode tolerar muita dissidência de seu ponto de vista claramente definido.

Em segundo lugar, o relativista alega que o absolutismo, a crença em leis morais universais, objectivas e imutáveis, promove a intolerância do pontos de vista alternativo. Mas nas ciências, o caso não tem sido assim. As ciências certamente têm beneficiado e progredido consideravelmente como consequência da tolerância sobre pontos de vista diversos e heréticos. Além do mais, a Ciência não trata de verdades subjectivas, mas de verdades objectivas. Logo, o Objectivismo não causa, necessariamente, a intolerância.

Em terceiro lugar, o relativista ainda pode argumentar que os absolutos são duros e inflexíveis e, por conseguinte, o seu defensor também será duro e inflexível. Mas isso é outro non-sequitur (do latim “não se segue”). Qualquer um pode ensinar factos duros de uma maneira suave ou pareceres suaves de uma maneira dura.

Em quarto lugar, a mais simples refutação do argumento de tolerância é sua principal premissa. Ela assume que a tolerância é real, objectiva, universal e absolutamente boa. Se o relativista responde que não está pressupondo o valor absoluto e objectivo de tolerância, então tudo o que ele está fazendo é exigir a fundação da sua preferência pessoal subjectiva de tolerância. Isso é certamente mais intolerante do que o apelo para uma lei objectiva, universal, impessoal, moral. Se não há valores morais absolutos, então nem a tolerância o é. Se tudo é relativo, como o relativista afirma, então a própria afirmação que assevera que tudo é relativo é, em si mesma, relativa. O absolutista pode conceber muito mais a sério a tolerância do que o relativista. É o absolutismo, não o relativismo, que promove a tolerância.

Quinta falácia: é o relativismo que promove a intolerância. Por que não ser intolerantes? O relativista não possui resposta a esta pergunta. Porque sentimo-nos melhor sendo tolerantes? Ou porque é consenso popular? Suponha também que já não se sente melhor. Suponha que ele deixa de ser popular. A relativista não pode recorrer a nenhuma lei moral como uma barragem contra a inundação da intolerância. Precisamos desesperadamente de obstáculos porque as sociedades, como indivíduos, são inconstantes e falaciosos. O que irá impedir uma Alemanha de filosofia humanista de se transformar numa Alemanha de filosofia desumana, nazi e de superioridade racial? Ou, uma Europa agora tolerante de se voltar para uma futura Europa intolerante contra qualquer grupo que a decide desqualificar. São os não nascidos bebés de hoje que serão os bebés nascidos amanhã. Homófobos hoje, talvez homossexuais amanhã. Este mesmo absolutismo tão temido pelos homossexuais, porque não tolerante com seu comportamento, é sua única protecção segura contra a intolerância das suas pessoas.

Sexta falácia. O exame do significado essencial do conceito de tolerância revela um pressuposto de objectivismo moral, pois não tolera o bem. Só tolera o mal para evitar piores males. O paciente vai tolerar a náusea provocada pela quimioterapia para evitar a morte por cancro. E uma sociedade tolerará coisas más, como o tabaco (cada vez menos), para preservar as coisas boas, como privacidade e liberdade.

Sétimo, o defensor da tolerância enfrenta um dilema quando se trata de tolerância intercultural. A maioria das culturas ao longo da história não colocou uma alta importância no que respeita à tolerância. Na verdade, algumas até mesmo a consideraram uma fraqueza moral. Deveríamos nós tolerar essa intolerância? Em caso afirmativo, deve-se tolerar a intolerância, então o defensor da tolerância teria feito melhor calar-se sobre a Inquisição. Mas se não se deve tolerar a intolerância, qual a razão? Porque é que a tolerância é boa, e a Inquisição foi realmente má? Nesse caso, estamos pressupondo um valor universal e objectivo transcultural. E se, em vez disso, diz que é só por causa do nosso consenso pela tolerância? Mas o consenso na História joga contra ele. Por que impor nossa? Não é isto culturalmente intolerante?

Relativismo 4 - Liberdade

Um quarto argumento é que o relativismo moral, por si só, garante a liberdade, enquanto que o Absolutismo moral ameaça a liberdade. As pessoas muitas vezes perguntam como podem ser verdadeiramente livres se elas não são livres para criar seus próprios valores. Na verdade, a nossa Justiça tem declarado que temos o direito fundamental a definir o significado da nossa existência. Este é o mais fundamental de todos os direitos, se estiver correcto, ou a mais fundamental de todas as loucuras, se estiver errado. Este é a coisa mais sábia ou a mais estúpida que a Justiça alguma vez já tenha declarado.

A resposta mais eficaz a este argumento é, frequentemente, um argumento do tipo "ad hominem" (atacar uma reputada autoridade e não as suas qualificações). Dizer à pessoa que exige o direito de ser livre para criar seus próprios valores que você também exige esse mesmo direito e que o sistema de valores que você escolher é um em que as suas opiniões não têm absolutamente valor nenhum. Ou, um sistema em que você é Deus e que exige, legitimamente, obediência total de todos os outros. Rapidamente essa pessoa protestará em nome da Verdade e da Justiça, mostrando que realmente acredita, em última análise, pelo menos nesses dois valores objectivos. Se não fizer isso, se protestar apenas em nome do seu sistema de valores alternativos que criou, então o seu protesto contra o seu egoísmo e megalomania não é melhor que o seu protesto contra sua justiça e verdade. Consequentemente, esse argumento só pode implodir completamente e esta situação muito dificilmente garantirá a liberdade.

Uma segunda refutação do argumento do relativista da liberdade é que a liberdade não pode criar valores, porque a liberdade já pressupõe valores. De que maneira é que a liberdade pressupõe valores? Bem, primeiramente porque o argumento do relativista em que o relativismo garante liberdade deve assumir que a liberdade é realmente valiosa, assumindo assim, pelo menos, um valor objectivo. Em segundo lugar, se a liberdade é realmente boa, deve estar livre de algo muito mau, assumindo assim um objectivo bom e mau. Em terceiro lugar, o defensor da liberdade quase sempre vai insistir que a liberdade deve ser concedida a todos e não apenas a alguns, pressupondo, portanto, o valor real da igualdade, a regra de ouro.

Mas a mais simples refutação do argumento sobre liberdade é experiência. A experiência ensina-nos que somos livres para criar costumes alternativos, como regras socialmente aceitáveis para a fala, vestuário, refeições ou condução. Mas ela também nos ensina que não estamos, na verdade, livres para criar alternativas morais. Como a traição, ou violação, ou assassinato, como sendo princípios correctos. Ou fazer da caridade ou justiça coisas erradas. Não podemos criar um novo valor moral fundamental mais do que podemos criar uma nova cor primária, ou uma nova aritmética, ou um novo universo. Nunca aconteceu nem nunca acontecerá. E se pudéssemos criar novos valores, não mais seriam valores morais. Apenas seriam regras do jogo inventadas arbitrariamente. A nossa consciência não se sentiria vinculada por eles, ou culpada após a sua transgressão. Se fôssemos livres para criar "Matarás" ou "Não matarás" seríamos igualmente livres para criar "Jogarás futebol" ou " Não jogarás futebol" e, consequentemente, sentir-nos-íamos tão culpados por assassinar como por não jogar futebol.

Na verdade, todos nós nos sentimos ligados a alguns valores morais fundamentais, como a Justiça ou a regra de ouro, por exemplo. Experimentamos a nossa liberdade de escolha para optar em obedecer ou desobedecer-lhes, mas também experimentamos uma falta de liberdade para transformá-los em seus opostos. Não podemos espontaneamente odiar o bem ou amar o mal. Experimente, não conseguirá. Tudo que pode fazer é recusar a ordem moral no seu todo. Você não pode criar outra. Você pode optar por violar, mas você não pode ter a obrigação moral de cometer a violação.

(Adaptado)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Relativismo 3 – Condicionamento Social

Um terceiro argumento do relativismo é semelhante ao segundo, mas é mais psicológico do que antropológico. Supostamente, este argumento também é baseado num facto cientificamente verificável. O facto é que as condições da sociedade imprimem valores em nós. Se fôssemos educados numa sociedade Hindu, teríamos valores hindus. Assim, a origem dos valores parece ter origem nas próprias mentes humanas, pais e professores, ao invés de ser algo objectivo à mente do ser humano. E o que vem de seres humanos é, evidentemente, subjectivo, como as regras do futebol, mesmo que sejam públicas e universalmente aceites. Esse argumento, como o anterior, também confunde valores com opiniões de valor. Talvez as condições da sociedade valorizem as opiniões em nós, mas isso não significa que a sociedade valorize condições em nós, a menos que os valores não sejam nada a não ser opiniões de valor, que é precisamente o ponto em questão, a conclusão. Portanto, o argumento novamente suscita a questão.

A sociedade condiciona as opiniões, mas não os valores objectivos


Existe também uma falsa suposição nesse argumento. A suposição é que tudo o que podemos aprender com a sociedade é subjectivo. Isso não é verdade. Podemos aprender as regras do futebol ensinadas pela sociedade, mas também podemos aprender as regras de multiplicação. As regras do futebol são subjectivas e provocadas pelo homem; as regras de multiplicação não são. Naturalmente, os sistemas de linguagem em que manifestamos quaisquer regras são sempre provocadas pelo homem. Mas a mente humana cria, em vez de descobrir, as regras do futebol e a mente descobre, ao invés de criar, as regras de multiplicação. Assim o facto de que podemos aprender determinada lei ou o valor da nossa sociedade não prova per si que é subjectiva.

Finalmente, mesmo a premissa expressa deste argumento não é totalmente verdadeira. Nem todas as opiniões de valor são o resultado de condicionamento social. Se elas o fossem, então não poderia haver uma não-conformidade à sociedade baseada em valores morais. Só poderia haver rebeliões de força, ao invés de princípios. Mas, na verdade, há muitos não-conformistas de princípio. Essas pessoas não derivaram os seus valores inteiramente da sua sociedade, uma vez que discordam com sua sociedade sobre valores. Então, a existência de não-conformistas morais é prova empírica da presença da origem de valores trans-sociais.

(Adaptado)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Relativismo 2 – Influência Cultural

Um segundo argumento para o relativismo é o argumento do relativismo cultural. Este argumento parece inexpugnável. A alegação é que antropólogos e sociólogos descobriram que o relativismo moral não é uma teoria, mas um facto empírico. Diferentes culturas e sociedades, como indivíduos diferentes, simplesmente, têm valores morais muito diferentes. Em Portugal a pena de morte é errado; em certos estados dos E.U.A é correcto. Na cultura contemporânea a fornicação é correcto; nas culturas cristãs a fornicação é errado. E assim por diante.

Descartes refere no seu “Discurso do Método” que "não existe nenhuma ideia tão estranha que algum filósofo não a tenha seriamente ensinado". Da mesma forma, não há nenhuma prática tão estranha que não tenha sido legitimada por algumas sociedades, tais como genocídio, ou canibalismo; ou, tão inocentemente, que algum grupo não tenha proibido, por exemplo, entrar num templo religioso com ou sem chapéu. Portanto, quem pensa que os valores não são relativos para culturas é simplesmente ignorante relativamente aos factos, reza assim o argumento.

Nem sempre é certo obedecer à cultura


Para ver a falácia lógica nesse argumento aparentemente inexpugnável, temos de olhar para a sua suposição tácita — que esse acerto moral é uma questão de obediência aos valores culturais. Que ele tem razão em obedecer aos valores da cultura. Sempre. Só se combinarmos essa premissa oculta com a premissa do declarado — que valores são diferentes com culturas — podemos chegar à conclusão de que o acerto moral é diferente segundo as culturas. Que o que está errado numa cultura está certo noutra. Mas, certamente, esta premissa oculta é uma falácia da petição de princípio (provar um argumento através da sua conclusão). Pressupõe o relativismo moral que é suposto provar! O absolutista nega que se tem razão a obedecer sempre aos valores da cultura. Ele tem um padrão transcultural pelo qual ele pode criticar os valores de uma cultura no seu todo. É por isso que ele poderia ser considerado um progressista, enquanto que o relativista só pode ser considerado como alguém com um status-quo conservador, não tendo nenhum padrão mais elevado do que a sua própria cultura. Meu país, certo ou errado. Apenas a maciça, mediática, propaganda mentirosa poderia confundir as mentes das pessoas que pensam espontaneamente o oposto. Mas, na verdade, é apenas o crente à moda antiga, cumpridor da lei moral natural, que poderia ser um radical social e progressista. Só ele pode dizer a um Hitler, ou um Saddam Hussein, "você e toda a vossa ordem social estão errados, são perversos e merecem ser destruídos." O relativista poderia apenas dizer: "Modas diferentes para diferentes pessoas e acontece que eu odeio as suas e prefiro as minhas, mas isso é tudo”.

Temos de distinguir as opiniões de valor subjectivo das de valores objectivos


A segunda fraqueza lógica do argumento sobre o relativismo cultural são os seus equívocos sobre o termo "valores". O Absolutismo moral distingue opiniões subjectivas sobre valores verdadeiramente objectivos. Assim como ele distingue verdade objectiva de opiniões subjectivas sobre Deus, ou sobre a vida após a morte, ou sobre a felicidade, ou sobre os números, ou beleza, só para ter cinco outras questões não-empíricas. Pode ser difícil, ou mesmo impossível, provar estas coisas ou alcançar a certeza sobre elas ou mesmo conhecê-las na sua totalidade. Mas isso não significa que eles sejam irreais. Mesmo que essas coisas possam não ser conhecidas, não significa que elas não existam. E mesmo que elas não possam ser conhecidas com absoluta certeza, não significa que eles não possam ser parcialmente conhecidas por parecerem certas. E mesmo que elas não possam ser provadas, não significa que elas não possam ser conhecidas com  absoluta certeza. E mesmo que elas não possam ser provadas pelo método científico, não significa que não possam ser provadas. Eles poderiam ser reais, mesmo se desconhecidas; conhecidas, mesmo se não absolutamente conhecidas; certamente conhecidas, mesmo se não provadas; e provadas, mesmo se não cientificamente provadas.

O equívoco básico no argumento do relativista cultural é entre valores e opiniões de valor. Culturas diferentes podem ter opiniões diferentes sobre o que é moralmente valioso, assim como elas podem ter opiniões diferentes sobre o que acontece após a morte. Mas isso não implica que a conclusão de que o que é realmente certo numa cultura seja realmente errado noutra, não mais do que diferentes opiniões sobre a vida após a morte impliquem a conclusão de que coisas diferentes realmente acontecem após a morte, dependendo de crenças culturais. Só porque eu creio que não há nenhum inferno não prova que não há nenhum e que eu não vá para lá. Se assim fosse, uma maneira simples e infalível de ser salvo seria simplesmente parar de acreditar no inferno. Da mesma forma, só porque um nazi acha que o genocídio é correcto isso não constitui prova que o é, a menos que nada seja bom ou mau e que apenas o pensamento ajuíze. Essa é a conclusão do relativista.Também não pode ser a sua premissa sem a justificar pela sua conclusão.

As culturas não diferem totalmente


Há ainda outro erro no argumento do relativista cultural. Parece que praticamente tudo o que possivelmente pode ser errado com um argumento é errado com este. O argumento dos factos não tem sequer seus factos correctos. Culturas não diferem, na verdade, totalmente sobre valores mesmo se o termo “valores” é levado a significar apenas opiniões de valor. Nunca nenhuma cultura existiu que acreditasse e ensinasse o que Nietzsche chamou uma “Transvalorização” de todos os valores. Houve diferenças de ênfase, por exemplo, na coragem como virtude mais valorizada pelos nossos ancestrais do que nós, enquanto nós valorizamos a compaixão mais do que eles fizeram. Mas nunca houve qualquer coisa como o relativismo de opiniões sobre os valores que o relativista ensina como história factual.

Basta imaginar como seria. Tente imaginar uma sociedade onde a justiça, honestidade, coragem, sabedoria, esperança e auto-controle fossem consideradas moralmente maus. E a falta restrições do egoísmo, covardia, preguiça, traição, vício e desespero foram considerados moralmente bons. Tal sociedade nunca existiu à face da Terra. Se existir em qualquer lugar é só no inferno e suas colónias. Apenas Satanás e seus adoradores dizem "mal, tu és o meu bem". Há de facto importantes desacordos sobre valores entre culturas. Mas subjacente a todos os desacordos sobre valores menores sempre existe um acordo sobre os valores mais básicos. Sob todas as divergências sobre a aplicação de valores em situações concretas — por exemplo, a pena de morte — sempre existe o acordo sobre valores absolutos — por exemplo, assassinato é mau uma vez que a vida humana é boa. Além do mais, desacordos morais entre culturas, bem como entre indivíduos, seriam impossíveis a menos que haja alguns acordos morais mais profundos, algumas premissas morais comuns. Os valores morais são para as leis de uma cultura o que, algo assim parecido, os conceitos são para as palavras. Quando visita um país estrangeiro, você experimenta o choque inicial. A linguagem é totalmente diferente. Mas, de seguida, sob as palavras diferentes você encontra conceitos comuns. E isso é o que possibilita a tradução de um idioma para outro. Analogamente, sob diferentes legislações sociais, encontramos leis morais humanas comuns. Encontramos uma moral semelhante sob diferentes costumes. O acordo moral entre Moisés, Buda, Confúcio, Lao Tzu, Sócrates, Salomão, Jesus, Cícero, Maomé, Zoraster e Hammurabbi é muito maior do que suas diferenças morais.

(Adaptado)

Relativismo 1 - Argumento Psicológico

O primeiro argumento do relativismo é psicológico. Na prática, as razões psicológicas — isto é, os porquês psicológicos, os motivos pessoais subjectivos — geralmente são uma fonte mais poderosa de relativismo moral do que os porquês lógicos — ou seja, os argumentos lógicos objectivos. Portanto, devemos perguntar, qual é o principal motivo para preferir o relativismo? Dado que o nosso desejo mais profundo é a felicidade e dado que os medos correspondem aos desejos, provavelmente é o medo que o Absolutismo moral nos faça infelizes, fazendo-nos sentir culpados. Por isso chamamos ao Absolutismo moral desamoroso ou incompassivo. Se for transformado argumento revestir-se-á desta forma: a boa moralidade tem consequências boas, má moralidade tem consequências más. Sentimentos de infelicidade e culpa são consequências funestas, enquanto sentimentos de felicidade e auto-estima são boas consequências. Absolutismo moral produz maus sentimentos de culpa e infelicidade, enquanto o relativismo moral produz bons sentimentos de auto-estima e felicidade. Portanto, o Absolutismo moral é mau e o relativismo moral é bom.

As leis morais maximizam a felicidade


A resposta a este argumento é antes de tudo que a lei moral absoluta existe não para minimizar, mas para maximizar a felicidade humana, e, portanto, é maximamente amável e compassiva. Tal como os rótulos, ou mapas que indicam coisas ou direcções, ninguém é feliz se comer veneno ou conduzir em direcção de um precipício. Mas, e quanto à culpa? Remover absolutos morais, de facto, remove o sentimento de culpa, mas neste sentido, obviamente, não traz a felicidade a curto prazo. Mas a culpa, como dor física, pode até ser necessária para evitar uma maior infelicidade a longo prazo, se for realista, ou seja, em sintonia com a realidade e não com uma patologia. Então a questão é: a realidade inclui leis morais objectivas? Se isso não acontecer, a culpa é uma experiência tão inútil como a paranóia. Mas se o fizer, é tão bom como a dor e por uma razão semelhante: para evitar danos. A culpa é um aviso na alma, análogo à dor como um aviso no corpo.

O argumento do relativista também tem um pressuposto de raciocínio circular (o acto de justificar uma afirmação através dessa mesma afirmação). Ele pressupõe que os sentimentos são o padrão para julgar a moralidade. Mas a alegação de moralidade tradicional é exactamente o oposto: que a moralidade é o padrão para julgar os sentimentos. Finalmente, se o argumento de auto-estima e culpa é correcto, ele segue logicamente que se os violadores, canibais, terroristas ou tiranos sentem auto-estima, então são pessoas melhores do que se sentissem culpados, logo, que o problema de Hitler terá sido apenas a falta de autoconfiança.

Resta dizer que algumas ideias estão além da necessidade de refutação… excepto nas universidades!

(Adaptado)

Relativismo - Introdução

relativism Peter Maurin e Dorothy Day definem uma sociedade boa como uma que torna mais fácil que o indivíduo seja bom. Correlativamente, uma sociedade livre é aquela que faz com que seja fácil ser livre. Ser livre e viver livremente, é viver espiritualmente, porque só espírito é livre — a matéria não o é. Viver espiritualmente é viver moralmente. As duas propriedades essenciais do espírito que se distinguem da matéria são intelecto e a vontade — a capacidade de conhecimento e escolha moral. Os ideais da verdade e da bondade. A ameaça mais radical para viver moralmente hoje é a perca de princípios morais.

Relativismo é a questão mais importante da nossa época.

A prática da Moral sempre foi difícil para a humanidade caída, mas pelo menos sempre houve o farol de princípios morais, não importa a tempestuosidade do mar da prática moral. Mas hoje, com a maioria de nossas mentes moldadas na educação formal ou informal — ou seja, meios de comunicação social — a luz desvaneceu. Moralidade é uma névoa de sentimentos. É por isso que para eles, como Chesterton disse, "a moralidade é sempre terrivelmente complicada para um homem que perdeu todos os seus princípios". Entenda-se por princípios aqueles princípios morais absolutos. Rochas imutáveis sob as ondas de mudanças de sentimentos e práticas. Relativismo moral é uma filosofia que nega quaisquer absolutos morais. Este é o inimigo público número um. É esta filosofia que extinguiu a luz nas mentes dos nossos professores e alunos e, eventualmente, se não for revertida, acabará por extinguir toda a nossa civilização. Portanto, não se pretende apenas apresentar um caso forte contra o relativismo moral, mas tão somente refutá-lo, desmascará-lo, colocá-lo a nu, humilhá-lo.

Quão importante é esta questão? Afinal, trata-se apenas de filosofia e filosofia são apenas ideias. Mas ideias têm consequências. Às vezes essas consequências são tão importantes como um Holocausto, ou uma Hiroshima. Às vezes até mais importantes. Filosofia é apenas pensado, mas ao semear um pensamento, colhe-se um acto; ao semear um acto, colhe-se um hábito; ao semear um hábito, colhe-se um carácter; ao semear um carácter, colhe-se um destino. Isto é tão verdade para as sociedades quanto para os indivíduos.
Quão importante é a questão? A questão do relativismo moral é somente a questão mais importante da nossa época, pois nenhuma sociedade em toda a história humana sobreviveu sem rejeitar esta filosofia. Nunca houve uma sociedade de relativistas. Portanto, nossa sociedade fará uma das três coisas: ou refutar uma das leis mais universalmente estabelecidas de toda a história; ou arrepender-se de seu relativismo e sobreviver; ou persistir em seu relativismo e perecer.

Quão importante é a questão? C.S. Lewis diz, em “O Veneno do Subjectivismo”, que esse relativismo "irá certamente terminar com a nossa espécie e condenar as nossas almas." Lembre-se de que os homens de Oxford (Oxonians) não são dados ao exagero. Porquê ele diz "condenar as nossas almas"? Lewis é cristão e não discorda do ensino fundamental de seu mestre, Cristo, e de todos os profetas na tradição judaica para os quais a salvação pressupõe o arrependimento e arrependimento pressupõe uma lei moral objectiva real. Relativismo moral elimina essa lei, trivializa assim o arrependimento e, consequentemente, a salvação.
As ideias têm consequências

O que o leva a dizer "acabar com nossa espécie" e não apenas a civilização ocidental moderna? Porque a espécie humana inteira está se tornando cada vez mais ocidentalizada e relativizada. É irónico que a América, a principal fonte de relativismo no mundo hoje, seja também nação mais religiosa do mundo. Isso é irónico porque a religião é para o relativismo o que o Dr. Van Helsing é para o Conde Drácula. Dentro da América, a oposição mais forte ao relativismo surge nas igrejas. Ironia ainda maior, de acordo com as pesquisas mais recentes, que os católicos sejam tão relativistas, tanto no comportamento como na crença, como os não-católicos, protestantes, evangélicos. Sessenta e dois por cento dos evangélicos negam qualquer verdade absoluta ou imutável e os judeus americanos são significativamente mais relativistas e seculares que os Gentios. Só judeus ortodoxos, ortodoxos orientais e os chamados “fundamentalistas” parecem ter resistindo a essa cultura, não por meio da conversão, mas por se terem retirado dela. E isso inclui a maioria dos muçulmanos. Quando Pat Buchanan disse em 1992 que estávamos numa guerra de cultura, toda a comunicação social se riu e zombou dele. Hoje, toda a gente sabe que ele estava certo e a guerra cultural é essencialmente sobre esta questão.

Temos de definir nossos termos quando começamos. Relativismo moral geralmente inclui três reivindicações: que a moralidade antes de tudo é mutável; em segundo lugar, subjectiva; e terceiro, individual. Que é relativa, em primeiro lugar, cronologicamente: não se pode voltar atrás no tempo. Em segundo lugar, para o que subjectivamente nós pensamos ou sentimos: nada é bom ou mau, mas o pensamento torna bom ou mau. Em terceiro lugar, a indivíduos; cursos diferentes para diferentes pessoas. Inversamente, absolutismo moral afirma que existem princípios morais que são imutáveis, objectivos e universais.

Devemos, primeiramente, examinar os argumentos de relativismo moral e refutá-los, afim de limpar o caminho para os argumentos contra ele.

(Adaptado)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A igreja contemporânea e a boa doutrina

igrejamodernaCerto dia, indo eu a um culto na igreja local, conversando com um crente, daqueles já velhinhos, cuja fé fervorosa e simples sempre foi um ensino e um motivo de humilhação para a minha fraca fé, por vezes desequilibradamente intelectual e reflectiva, ele disse: “Ouvi uma vez um missionário dizer que tinha ido ao mundo procurar a Igreja e não a encontrou; dirigiu-se então a uma igreja e aí encontrou o mundo”. Apesar de não poder confirmar a veracidade deste episódio, a mesma afirmação não deixa de fazer pleno sentido ao verificar o “estado” em que o meio evangélico se encontra neste começo do século XXI.

É uma constatação simples de ser observada o facto de que não somente os padrões morais que, há 20 ou 30 anos, eram indiscutivelmente cristãos e pelos quais se conseguia traçar uma fronteira entre o mundo cristão/evangélico e o não-cristão não mais existem ou apenas foram relegados para a prateleira do relativismo, mas que, igualmente, a doutrina pregada e anunciada tem sofrido um ataque perigoso e poderoso não apenas do meio intelectual e social, mas, mais perigoso e profundo, do interior da própria Igreja e seus dirigentes. O namoro dos crentes e seus líderes com a filosofia utilitária tem tornado a Igreja numa arena de show-off, digna dos mais medíocres programas da TV, em que o importante é o estilo, o entretenimento em detrimento da apresentação da Verdade.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O fim do Cristianismo

Cruz no Céu Erik Reis
Falando do fim do cristianismo não significa que me refira ao advento de Cristo, ou a sua segunda vinda, tal como profetizado; não falo do arrebatamento da Igreja ou de qualquer cataclismo que possa colocar em causa a vida ou a existência da Igreja visível de Deus.
Falo tão-somente do fim do verdadeiro Cristianismo em troco de outro cristianismo, mais moderno, mais apetecível, mais concordante com a linha de pensamento actual.
Falo daquele Cristianismo que é para os pecadores. Falo da normal e simples declaração da grande maioria das igrejas da suposta suficiente afirmação “ama a Deus acima de todas as coisas e o teu próximo como a ti mesmo” como sendo o suficiente fundamento para o alicerçar do cristianismo como se este sentimento fosse o centro do verdadeiro Cristianismo; que o cristão ao tentar provar possuir este amor por si só é causa suficiente para fazer parte da membrasia da Igreja.

Santificação III

3. Crítica SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça) Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a...