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quarta-feira, 21 de maio de 2025

Santificação III

3. Crítica

SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça)

Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a pensar que as suas obras contribuem para a santificação como reacção à sua recente e passada vida de pecado e querem definitivamente colocar-se fora da alçada do pecado torando-se extremamente zelosos pelas boas obras, tornando a sua vida cristã num conjunto de regras a cumprir, de “obrigações” e “regras”. É indubitavelmente um salto radical, mas por esforço próprio. Acreditam piamente que o sucesso da sua vida cristã depende dos seus esforços, do reconhecer e pedir perdão pelos pecados, do tentar adivinhar qual o pecado que impede o incremento da salvação, do tentar encontrar a receita exacta para um “comportamento cristão” religiosamente correcto. Quando falham duvidam da salvação. Caem num comportamento cíclico que oscila entre a felicidade pelo sucesso e a depressão pelo fracasso. Dificilmente terão a alegria da salvação tornando-se amargos, legalistas que olharão os seus irmãos espirituais com um olhar inquisidor e competitivo, numa corrida onde há vencedores (obras melhores) e vencidos (obras piores). O Reformed Baptist Daily reporta o seguinte “a santificação progressiva é o processo através do qual diariamente nos tornamos mais semelhantes a Cristo”. MacArthur escreve que a santificação é um trabalho duro. Compreendo o teor da mensagem, mas é uma derrapagem doutrinária bastante acentuada, pois se assim for concluímos que o trabalho árduo é um requisito para a salvação, contrariando as Escrituras; Berkhof escreve na sua Systemathic Theology “Pode-se definir a

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Corpo místico e Colectivismo

Não deixa de ser paradoxal o engrandecimento do indivíduo no campo religioso tendo origem num tempo em que o colectivismo arrasa completamente o indivíduo a todos os níveis. A ideia subjacente é que a religião democratizada pertence apenas ao âmbito da nossa vida privada e que se trata apenas de um campo pessoal e não colectivo. Alguma razão existe nesse princípio. Falando na religião que mais fez pelo ser humano enquanto indivíduo, o cristianismo, é óbvia a ideia de que o relacionamento com o divino pertence à esfera pessoal e só admite a intermediação do mediador nomeado por quem teve a iniciativa do Pacto e que se deu voluntariamente para tal.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

 Quando as igrejas se tornam num negócio

1) Os Pastores funcionam como CEOs.

2) Os membros tornam-se em consumidores.

3) As outras igrejas tornam-se na concorrência.

4) O evangelismo é reduzido ao Marketing.

5) A plantação de igrejas é mais um tipo de franchising.

6) Os números são a primeira bitola de sucesso.

7) A oração e a Palavra são substituídas por fórmulas.

8) O reavivamento é reduzido a um programa de alguns dias de levantamento de fundos.

9) A pregação soa mais a um discurso motivacional. Todos devem clamar "amen, eu recebo!" durante o concerto, quer dizer, "culto"...

10) Adoração e louvor são transformados em actuação. Os melhores actores dirigem o louvor.

11) O Espírito de Deus é reduzido a um "emocionalismo". Não há um real poder de Deus, mas tão somente um sensacionalismo hipnótico.

12) Os santos são entretidos em vez de serem equipados. 

13) Os discípulos de Cristo são tornados em meninos, meninas e fãs de Deus.

14) A Igreja, um corpo vivo, torna-se um corpo sem vida.

15) Um império de um líder é construído ao invés do
avanço do reino de Deus.

16) O pastor torna-se num super-homem e Jesus Cristo é reduzido a mais uma figura moral e religiosa.

Algum destes pontos nos é familiar nesta geração? Se alguém estiver sob este padrão de "cristianismo" é porque já frequenta uma seita e não a Igreja de Jesus Cristo. Saia enquanto é tempo!!!

Todo o acima exposto é exactamente o que fez Jesus perguntar:

"Quando o Filho do Homem vier achará ainda fé na Terra?"

(Lucas 18)

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Desafios contemporâneos

 A verdade é que o cristianismo está em declínio na nossa cultura, uma cultura regressada ao culto pagão. Uma espécie de racionalismo ateísta oriundo das Luzes cuja sua ontologia nos leva a um evolucionismo diferente da hipótese emanacionista do tipo plotiniano ou bramânico, ou da criação ex-nihilo das religiões reveladas nas quais o Criador e a criação possuem essências radicalmente distintas e separadas. De acordo com esta ideia, a matéria evolui continuamente por si só e sem qualquer intervenção externa; isto ao ponto de se tornar mais complexa ao ponto de gerar a aparência espontânea da consciência e da mente. Nesta visão evolutiva de uma existência sem uma verdadeira causa espiritual primária – sem arkhè  – a vida, a consciência e o espírito são apenas etapas sucessivas da mesma matéria autocriada e auto-organizada. Assiste-se a uma espécie de monismo invertido onde a matéria precede o espírito sendo que este último seria um estágio “evoluído” da matéria a qual está subjacente ao pensamento político, social e intelectual do Ocidente contemporâneo.


A decadência do cristianismo no Ocidente é um facto apesar do aparecimento contínuo e sistemático das chamadas Mega Igrejas
, ou igrejas da chamada “prosperidade”. Este fenómeno não nos aparece apenas como um fenómeno de reconfiguração devido à falta de compreensão da verdadeira natureza e missão da Igreja, mas também como um sintoma do afastamento geral dos povos ocidentais da herança cristã e o abraçar da cultura materialista dominante. Embora seja evidente que no chamado Ocidente o protestantismo evangélico esteja em declínio acentuado, o modelo moderno de ver a Igreja também tem os seus dias contados porque, no fundo, nele reside uma mentalidade industrial da qual a nossa cultura agora se afasta, fruto de um pensamento evolutivo.

Santificação III

3. Crítica SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça) Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a...