quarta-feira, 21 de maio de 2025

Santificação III

3. Crítica

SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça)

Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a pensar que as suas obras contribuem para a santificação como reacção à sua recente e passada vida de pecado e querem definitivamente colocar-se fora da alçada do pecado torando-se extremamente zelosos pelas boas obras, tornando a sua vida cristã num conjunto de regras a cumprir, de “obrigações” e “regras”. É indubitavelmente um salto radical, mas por esforço próprio. Acreditam piamente que o sucesso da sua vida cristã depende dos seus esforços, do reconhecer e pedir perdão pelos pecados, do tentar adivinhar qual o pecado que impede o incremento da salvação, do tentar encontrar a receita exacta para um “comportamento cristão” religiosamente correcto. Quando falham duvidam da salvação. Caem num comportamento cíclico que oscila entre a felicidade pelo sucesso e a depressão pelo fracasso. Dificilmente terão a alegria da salvação tornando-se amargos, legalistas que olharão os seus irmãos espirituais com um olhar inquisidor e competitivo, numa corrida onde há vencedores (obras melhores) e vencidos (obras piores). O Reformed Baptist Daily reporta o seguinte “a santificação progressiva é o processo através do qual diariamente nos tornamos mais semelhantes a Cristo”. MacArthur escreve que a santificação é um trabalho duro. Compreendo o teor da mensagem, mas é uma derrapagem doutrinária bastante acentuada, pois se assim for concluímos que o trabalho árduo é um requisito para a salvação, contrariando as Escrituras; Berkhof escreve na sua Systemathic Theology “Pode-se definir a

Santificação II

 SANTIFICAÇÃO POSICIONAL: trata da mudança de posição da pertença do mundo para a pertença do Reino de Deus.

1. Santificação Posicional

A santificação posicional é aquela que ocorre no momento da conversão, quando o pecador é declarado santo e separado para Deus por meio da fé em Cristo. Essa posição é imputada ao crente devido à obra redentora de Cristo na cruz e à sua situação nele.

Principais características:

Instantânea: Acontece no momento da salvação.

Posicional: Refere-se à posição espiritual do crente diante de Deus.

Baseada na obra de Cristo: Não é uma sensação que o crente conquiste por méritos próprios, mas é um dom recebido através da justificação pela fé.

Definitiva: Uma vez que o crente é santificado posicionalmente, a sua posição diante de Deus não muda, por ser garantida pela justiça de Cristo.

Santificação I

INTRODUÇÃO

Na tradição teológica protestante a santificação é distinta da justificação e da regeneração. Todas elas têm a mesma raiz e não podem ser, de facto, desligadas. Enquanto o termo justificação diz respeito à declaração jurídica de Deus pela qual o pecador é declarado justo, e em consideração ao que Cristo fez por ele, a santificação é o seu efeito, a sua execução eficaz. O termo regeneração é confinado ao acto inicial eficaz pelo qual a nova vida é transmitida ao pecador e resultante na sua conversão, da qual a santificação é conhecida como o seu desenvolvimento progressivo.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará

“Todos os homens nascem livres e iguais em direitos”, trata-se do primeiro artigo da declaração universal dos direitos humanos e é a noção de liberdade que se quer ver debatida. Será um povo livre para fazer o que quiser? Um país soberano pode fazer o que quiser? Enquanto indivíduo serei livre para fazer o que quero? Se somos seres dotados de liberdade, o que é um facto anterior à afirmação dos direitos, logo temos a capacidade de fazer escolhas e temos também a capacidade de realizar acções correspondentes às nossas escolhas, ou seja, sendo verdadeira esta premissa assume-se que podemos fazer o que queremos. 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Corpo místico e Colectivismo

Não deixa de ser paradoxal o engrandecimento do indivíduo no campo religioso tendo origem num tempo em que o colectivismo arrasa completamente o indivíduo a todos os níveis. A ideia subjacente é que a religião democratizada pertence apenas ao âmbito da nossa vida privada e que se trata apenas de um campo pessoal e não colectivo. Alguma razão existe nesse princípio. Falando na religião que mais fez pelo ser humano enquanto indivíduo, o cristianismo, é óbvia a ideia de que o relacionamento com o divino pertence à esfera pessoal e só admite a intermediação do mediador nomeado por quem teve a iniciativa do Pacto e que se deu voluntariamente para tal.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

 Quando as igrejas se tornam num negócio

1) Os Pastores funcionam como CEOs.

2) Os membros tornam-se em consumidores.

3) As outras igrejas tornam-se na concorrência.

4) O evangelismo é reduzido ao Marketing.

5) A plantação de igrejas é mais um tipo de franchising.

6) Os números são a primeira bitola de sucesso.

7) A oração e a Palavra são substituídas por fórmulas.

8) O reavivamento é reduzido a um programa de alguns dias de levantamento de fundos.

9) A pregação soa mais a um discurso motivacional. Todos devem clamar "amen, eu recebo!" durante o concerto, quer dizer, "culto"...

10) Adoração e louvor são transformados em actuação. Os melhores actores dirigem o louvor.

11) O Espírito de Deus é reduzido a um "emocionalismo". Não há um real poder de Deus, mas tão somente um sensacionalismo hipnótico.

12) Os santos são entretidos em vez de serem equipados. 

13) Os discípulos de Cristo são tornados em meninos, meninas e fãs de Deus.

14) A Igreja, um corpo vivo, torna-se um corpo sem vida.

15) Um império de um líder é construído ao invés do
avanço do reino de Deus.

16) O pastor torna-se num super-homem e Jesus Cristo é reduzido a mais uma figura moral e religiosa.

Algum destes pontos nos é familiar nesta geração? Se alguém estiver sob este padrão de "cristianismo" é porque já frequenta uma seita e não a Igreja de Jesus Cristo. Saia enquanto é tempo!!!

Todo o acima exposto é exactamente o que fez Jesus perguntar:

"Quando o Filho do Homem vier achará ainda fé na Terra?"

(Lucas 18)

domingo, 11 de setembro de 2022

Pastores à beira do abismo - Autópsia a uma morte anunciada

Eles estão mortos, embora ainda andem. Eles estão mortos emocionalmente. A sua visão e paixão estão mortas. A sua vida espiritual está a perder todos os sinais vitais. Eles estão completamente esgotados pelas pressões sufocantes da vida e do ministério. Muitos já morreram em relação à sua vocação e chamada. Outros estão a caminho e bem próximo desta triste realidade.

Autópsias não é um tema agradável para escrever e ler. Mas eu seria negligente se eu não compartilhasse contigo sobre o número de pastores que estão mortos no ministério. Tu precisas entender esta realidade. Tu precisas orar por eles. Tu precisas caminhar ao lado deles. Como estes pastores morreram? As suas autópsias descobriram oito padrões comuns. Alguns pastores manifestam quatro ou cinco deles. Muitos manifestam todos eles.



1. Eles disseram "sim" à maioria dos membros. Para evitar conflitos e críticas, esses pastores tentaram agradar a maioria dos membros da igreja. O caminho desses pastores não era sustentável. O seu caminho era insalubre, levando à morte.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

"Deus está morto" (Nietzsche); "Nietzsche está morto" (Deus)

 Nietzsche e a morte de Deus. O que ele faz é mostrar para o homem moderno que Deus está morto e que nós todos somos os assassinos. Traz a luz sobre uma realidade incontornável do próprio movimento do esclarecimento, a saber, o Homem moderno é quem colocou o mundo e a História sob o signo da razão esclarecida, que abomina qualquer tipo de subjugação, de vassalagem, que é a razão absoluta da autodeterminação. Ora, manter Deus seria manter essa tal atitude de subordinação. Não admira, portanto, que Nietzsche erija a ciência moderna, ateísta por vocação, como uma espécie de emancipação humana anteriormente submissa ao divino e transcendente.

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Desafios contemporâneos

 A verdade é que o cristianismo está em declínio na nossa cultura, uma cultura regressada ao culto pagão. Uma espécie de racionalismo ateísta oriundo das Luzes cuja sua ontologia nos leva a um evolucionismo diferente da hipótese emanacionista do tipo plotiniano ou bramânico, ou da criação ex-nihilo das religiões reveladas nas quais o Criador e a criação possuem essências radicalmente distintas e separadas. De acordo com esta ideia, a matéria evolui continuamente por si só e sem qualquer intervenção externa; isto ao ponto de se tornar mais complexa ao ponto de gerar a aparência espontânea da consciência e da mente. Nesta visão evolutiva de uma existência sem uma verdadeira causa espiritual primária – sem arkhè  – a vida, a consciência e o espírito são apenas etapas sucessivas da mesma matéria autocriada e auto-organizada. Assiste-se a uma espécie de monismo invertido onde a matéria precede o espírito sendo que este último seria um estágio “evoluído” da matéria a qual está subjacente ao pensamento político, social e intelectual do Ocidente contemporâneo.


A decadência do cristianismo no Ocidente é um facto apesar do aparecimento contínuo e sistemático das chamadas Mega Igrejas
, ou igrejas da chamada “prosperidade”. Este fenómeno não nos aparece apenas como um fenómeno de reconfiguração devido à falta de compreensão da verdadeira natureza e missão da Igreja, mas também como um sintoma do afastamento geral dos povos ocidentais da herança cristã e o abraçar da cultura materialista dominante. Embora seja evidente que no chamado Ocidente o protestantismo evangélico esteja em declínio acentuado, o modelo moderno de ver a Igreja também tem os seus dias contados porque, no fundo, nele reside uma mentalidade industrial da qual a nossa cultura agora se afasta, fruto de um pensamento evolutivo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Conservadorismo?

Somos frequentemente colocados diante de escolhas sociais, teológicas, morais e, inevitavelmente, põe-se a questão clássica da opção entre o que "sempre foi" e o "que é novo", ou melhor compreendido, entre o tradicional e o progressista.

Existe a ideia que o novo é bom. Este é o núcleo do pensamento progressista cuja evolução da Humanidade assenta primordialmente, senão exclusivamente, na marcha inexorável da História rumo a um mundo novo e melhor. Através de uma revolução, armada ou não, mas sempre com o factor violência subjacente. Violento porque existe sempre uma violência na imposição do "novo", do "progressista" que subentende sempre o abandono do "velho", do "tradicional". É assim na sociedade e tem sido assim na teologia e práticas eclesiásticas: o "moderno" como norma ontológica da Verdade. O que é novo é bom, seja lá o que for.

Gostaria de citar um filósofo leigo de nome Roger Scruton que no bem conhecido seu livro "Como ser um Conservador", no capítulo sobre o conservadorismo ele escreve: "O processo pelo qual os seres  humanos adquirem a própria liberdade também constrói vínculos afetivos, e as  instituições da lei, do ensino e da política são parte disso — não coisas que  escolhemos livremente a partir de uma posição de distanciamento, mas coisas  pelas quais conquistámos nossa liberdade e sem as quais não poderíamos existir  como agentes plenamente auto-conscientes.", ou seja, o processo através do qual os humanos conseguem erigir seus princípios de vivência e assim habitar em sociedade não parte de pensamentos a priori, mas do resultado de experiências vividas anteriormente e testadas ao longo do tempo.

E continuo com C. S. Lewis, mas como poderá um sistema imutável sobreviver ao contínuo crescer de conhecimento? Como poderá o antigo sobreviver ao moderno? Em certos casos podemos aceitar plenamente esta não-polémica: no erudito que estuda Platão e que, num momento, descortina a beleza literária, a metafísica e o seu lugar na História, e a posição bem diferente do aluno que ainda estuda o alfabeto grego. Através desse imutável sistema que é o alfabeto todo esta vasta e emotiva actividade tem lugar. Se este sistema fosse mudado seria o caos. Ou um estadista considerando a moralidade de medidas políticas que visam o bem comum e que poderão afectar milhões de cidadãos que se encontra numa posição bem diferente de uma criança que aprende desde cedo que roubar é feio. Mas é apenas enquanto o estadista considera a validade de princípios morais imutáveis, como a criança, que as medidas por si tomadas podem ser consideradas morais.

Porque a mudança não poderia ser considerada progresso se o seu núcleo não permanecer imutável. Uma pequena macieira transforma-se numa grande macieira. Se se transformasse numa pereira não seria crescimento, ou progresso, mas uma mera mudança. Porque existe uma diferença entre contar peças de fruta e chegar a resultados matemáticos complexos mas a tabuada e as regras de aritmética usadas em ambas as acções permanece a mesma, inalterável.

As regras da possibilidade de progresso exigem a existência de um elemento imutável. Novos odres para o novo vinho, mas não novos paladares, novos estômagos ou novas gargantas. De outra maneira não mais seria vinho para nós.







sábado, 18 de novembro de 2017

O género


Compreender as raízes e objectivos da denominada ideologia do género passa necessariamente por entender o que se conhece por marxismo cultural, ou a teoria crítica da sociedade. O ensino neomarxista, ou marxismo ocidental, a teoria crítica da sociedade, é considerado o conjunto das correntes nascidas nos anos vinte do século XX, em torno das teses de Gyorgy Luckács (1885-1972), Karl Korsch (1896-1961), Ernst Bloch (1885-1977), e Antonio Gramsci (1891-1937). O essencial do modelo está na tese de Antonio Gramsci (comunista italiano) sobre a sociedade civil, considerada como o domínio das superstruturas culturais e ideológicas. O mal não reside no indivíduo, bom por natureza, mas tão somente no sistema instalado, a saber a civilização ocidental burguesa e cristã. Contrariamente ao marxismo tradicional que visa a tomada do poder directamente através da luta armada pelo proletariado, os proponentes do neomarxismo acreditam que a cultura ocidental não pode ser atacada de frente, como o tentou sem êxito o comunismo tradicional, mas precisa de ser implodida, anónima e gradualmente Não segundo a via estalinista, mas disfarçadamente. Gramsci propõe o “Admirável Mundo Novo” de Huxley, com a mudança do indivíduo a partir do seu interior, e não o “1984” de Orwell onde a monitorização e vigilância do Big Brother não impedem a consciência de se proteger. Embora haja diferenças entre o conceito de Marx para o qual a arena decisiva da luta de classes era o controlo dos meios de produção (sub-estrutura) e não a batalha de ideias e que os ataques à cultura por parte dos neomarxistas denotasse um abandono do marxismo original, vamos chamar a esta escola de Marxismo Cultural dado que este nome é o comummente usado e trás consigo a ideia da transformação da sociedade através de uma revolução pelas colunas da cultura.

 Para implementar a sua ideologia Gramsci descobriu os três pilares culturais ocidentais que teriam de desabar: a ética judaico-cristã (fé no Deus de Israel), a filosofia grega (a razão filosófica, a razão aristotélica é considerada uma prática burguesa) e o direito romano (pensamento jurídico). A actual batalha cultural expressa-se na destruição destes três fundamentos (curiosamente o apóstolo Paulo expressava-se dentro destes paradigmas, pela sua fé, seu raciocínio lógico, sua defesa enquanto cidadão romano). Consegue-se descortinar as actuais tentativas modernas de abolição destes três pilares se considerarmos a luta contra o Cristianismo e seus princípios morais, a oscilação do pensamento lógico para um niilista, existencialista, a polilogia típica do pensamento marxista e a subversão do direito que introduziu a codificação, a questão dos bens, das sucessões, entre muitas outras indispensáveis ao actual sistema capitalista. 

 Com a gradual queda do conceito de classe operária oprimida, ou proletariado, e a ascensão da classe média devido ao avanço do sistema capitalista, o marxismo cultural cuja agenda é o  desencadear uma revolução precisamente através da classe proletária oprimida no sentido de transformar o mundo pela eliminação de classes sociais, das desigualdades, da classe dirigente opressora, teve de encontrar novas “classes” de oprimidos, uma nova bandeira, a fim de fazer avançar a sua luta ideológica. Inventou-se assim o termo “excluídos”. Todo o ser humano se sente excluído de algo e isso sempre provoca insatisfação. Este é o combustível ideal para a revolta ideológica do marxismo. E que maior revolta pode haver do que a sociedade conservadora moldada pela moral judaico-cristã discriminar as escolhas sexuais individuais? Sob pretexto de justiça e equidade, virtudes essencialmente cristãs, os inimigos do cristianismo apoiam-se precisamente nelas para destruir o que as concebeu.  

 A ordem da Criação mesmo antes da queda no Éden já preconizava o trabalho, a família, o governo, a diferença de sexo, a autoridade. “Macho e fêmea (Deus) os criou”, relatam as Escrituras. Existe no desígnio divino uma clara distinção de género e embora essa distinção diante de Deus se apague (Gálatas 3.28), não é menos verdade que ela existe. Os principais mandamentos da ideologia do género, na sua tentativa de implementar uma nova crença progressista e anti-cristã, consistem na premissa que não há diferenças entre homens e mulheres, no libertar a mulher da opressão de uma sociedade patriarcal, emancipá-la da “discriminação”, que o papel tradicional da mulher no lar seria apenas uma construção social burguesa; o sexo biológico é modificável, é um dado transitório e maleável que pode ser transformado de acordo com a opção de cada um; a família nuclear e tradicional é um estereótipo, a família natural, segundo os ideólogos do género, será apenas uma norma social baseada na antiga opressão do homem sobre a mulher agora superado pela abstracção do género, o plural “famílias” passa a ser obrigatório e na lista entram, obviamente, todos os relacionamentos “poli-afectivos” redimidos da sexualidade tradicional; a paternidade é “dessexualizada”, se a família natural não passa de uma construção social, a consequência será a paternidade dessexuada. Os filhos deixam de ser fruto de uma sexualidade entre macho e fêmea para serem artificialmente concebidos In Vitro, em barrigas de aluguer. Falar da educação dos filhos por um casal homem-mulher é considerado ofensivo, porque tradicional e burguês. Os casais homossexuais são doravante erigidos em modelo de educação, não obstante as sérias objecções daí decorrentes; a classe falante (Pierre Bourdieux), os meios de comunicação social, são conquistados por uma minoria que eclipsa totalmente uma maioria mais conservadora e tradicional que não tem quem a represente e, consequentemente, é provocada a impressão de que a maioria conservadora é na verdade uma minoria. Existe uma óbvia tentativa de eliminar o cristianismo e substituí-lo por uma religião baseada no racionalismo e determinismo histórico, tendo o Estado omnipresente e omnipotente como seu deus e uma elite auto-eleita como seus profetas. O paraíso seria aqui e agora, na Terra, proposto por novos princípios humanistas, racionalistas e condicionados pela marcha inexorável do determinismo histórico.  

 O Marxismo Cultural, neste caso, trata-se de mais uma religião. Uma autêntica devoção com os seus dogmas, os seus profetas, o seu deus (o Estado), o seu paraíso (a Terra sob o marxismo globalizado). Ele é sempre um programa global, universal e necessita também de uma religião global e universal, ecuménica. As profecias serão cumpridas e o Cristianismo terá de ser globalmente ostracizado, cristianismo que está na origem da liberdade individual, do trabalho meritório, do direito à propriedade privada, do direito à vida, da ideia do pecado, da Lei Natural, da família tradicional base da sociedade. Gramsci entendeu claramente que  enquanto o cristianismo não fosse destruído e permanecesse uma tradição vincada no Ocidente não haveria nenhuma revolução proletária. A História o comprovou.

domingo, 8 de outubro de 2017

Oração


"Não é absolutamente necessário para a salvação de um homem que ele leia a Bíblia. Um homem pode não ter aprendido nada, ou ser cego, e ainda assim ter Cristo no seu coração. Não é absolutamente necessário que um homem deva ouvir a pregação pública do Evangelho. Ele pode viver onde o Evangelho não é pregado, ou ele pode estar acamado, ou ser surdo. Mas, a mesma coisa não pode ser dita sobre a oração. A oração de um homem é absolutamente necessária para sua salvação." (J C. Ryle - Um Chamado à Oração)

Permitam-me transcrever este belo e rico trecho de um dos meus autores preferidos, o bispo J. C. Ryle. É um deleite gastar o meu tempo a ler as obras deste grande homem de Deus. Este capítulo "A Call to Prayer" é parte de um livro intitulado "Practical Religion" que deveria constar na biblioteca de qualquer cristão.

Muita polémica sobre a oração e a sua relação tanto com a omnipotência de Deus, como com a predestinação. Se bem que nem sempre andamos sobre a linha do bom senso do que compreendemos por predestinação e pela omnisciência divina, a oração, apesar das suas alegadas implicações lógicas, não deixa de ser um mandamento divino: "quero pois que os homens orem em todo o lugar", escrevia Paulo a Timóteo.

Mas o dilema sobre a oração tende a desaparecer se nós primeiramente compreendermos a oração ao invés do resto. A oração não muda Deus. A oração muda a pessoa que ora. É mais uma questão de relacionamento que de petição. Daí o sentimento que deve acompanhar a oração e que é aperfeiçoado pelo próprio acto de orar. Oramos para não pecarmos, mas é definitivamente importante que não pequemos para podermos melhor orar.

"Eu tenho uma pergunta para lhe fazer. Ela é composta de duas palavras: VOCÊ ORA?"







sábado, 30 de setembro de 2017

O cristão nas urnas

Dia 1 de Novembro o povo português é convidado a ir às urnas. Convidado porque não é obrigado. Embora as eleições nete domingo tenham a ver com o poder local, as autarquias, não deixa de ser importante o seu resultado, barómetro para interpretar o oscilar das forças políticas presentes na luta pelo poder nacional.

Os cristãos são convidados a ir às urnas.

Dizendo de outra maneira, a Igreja de Cristo em Portugal é chamada a participar na vida política nacional. Não é legítimo o cristão se abster deste seu dever cívico sob pretexto de espiritualidade, ou de desprezo pelas instituições do poder nacional até porque ele é chamado a orar pelas autoridades do governo e respeitá-las. O crente pode e deve, através do voto secreto, acção proporcionada pelo sistema "menos mau de todos" chamado de democracia, ter uma palavra a dizer no desenrolar da vida política do seu país o que irá, evidentemente, ter repercussões na vida das igrejas locais, nacionais, questões sociais fracturantes, perseveração dos bons usos e costumes, servir de força de bloqueio a ideologias evolucionistas e ateístas cada vez mais presente no nosso quotidiano.

A questão da legitimidade de votar nem se devia colocar. O importante é legitimar em quem se deve votar. Apesar de não se dever utilizar o púlpito para propaganda política, social ou outras, é dever de todo o pregador, pastor ou ancião o sensibilizar a igreja local ao voto pela defesa do bem-estar da igreja, da preservação de uma moral de raízes judaico-cristãs ainda em vigor, embora presente de maneira cada vez mais ténue, da paz do povo de Deus na sociedade. Estes princípios encontram-se seriamente ameaçados pelo pensamento secular ateu, mesmo que rotulado e disfarçado de slogans como "caridade pelos pobres", de "defesa das minorias", ou de "justiça social" comummente utilizados para seduzir o crente mais ingénuo que, das duas uma, ou desconhece essa ideologia política, ou desconhece a teologia. Elas excluem-se mutuamente. Se a igualdade social fosse um mandamento bíblico Salomão teria cortado o bebé em dois. Justiça social é a igualdade de oportunidades e não a igualdade de resultados.

Ontologicamente a Igreja "não é" do mundo, mas temporalmente ela "está" no mundo. Embora a revelação na Palavra de Deus seja a revelação especial aos crentes, a revelação geral (lei moral) é para toda a gente. Existe uma revelação Natural comum a todos os seres humanos. Ela não começou com os cristãos, mas é encontrada em escritos hindus, chineses, gregos, anteriores à época de Cristo. Esta lei Natural, embora obscurecida pelo pecado, não está completamente esquecida e reflecte a imagem de Deus na humanidade e é precisamente esta lei Natural que os movimentos progressistas, ateus e evolucionistas que colocam o Estado secular acima da Igreja dominando-a, Estado este que pretende substituir-se a Deus e cujo secularismo acabará por impor a irreligião, pretendem aniquilar com decretos claramente inspirados nos manifestos Humanistas abrindo assim lugar a uma sociedade dominada pelo Estado através de uma elite, sem Deus, sem outra religião que a do Estado, sem outra lei moral que a humana.

É pela oração e pelo voto, não pela força das armas ou violência, que o crente que não é deste mundo pode aspirar a ter paz neste mundo que não é seu.



terça-feira, 10 de março de 2015

Os 25 países mais ateus

http://www.infobarrel.com/25_Most_Atheist_Countries_in_the_World

Os 25 países mais ateus. A nossa velha Europa tem 19 países nesta lita negra. Dos outros temos ainda dois que foram directamente colonizados e evangelizados pela outrora grande potência Gra-Bretanha.

Uma civilização só é derrotada por fora quando há muito já foi vencida por dentro!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Espírito age como quer



Sempre me surpreendeu a maneira como Deus realiza e leva avante o seu trabalho na Terra. Fora dos parâmetros frequentemente idealizados pelo homem, por mais calvinista, arminiano ou qualquer outra coisa que seja, sem se limitar ao balizamento do preconceito religioso ou social, Deus age, trabalha e realiza. O Homem gosta de se sentir seguro e essa segurança só lhe é outorgada pela completa compreensão do que se passa à sua volta, do que vê acontecer e do que crê que esteja a acontecer. Na ânsia de tudo querer compreender estabelecem-se leis e limites. Tudo o que não esteja estremado por essas leis e limites será erro, mentira, porque indecifrável e não compatível com a crença de que as coisas para acontecerem de “maneira normal” devem acontecer daquela maneira que pré-estabelecemos, ou melhor dizendo, “à nossa maneira”. Tudo o resto é objecto de desconfiança, de decomposição crítica e, em última análise, de rejeição por vezes – talvez muito frequentemente – de uma forma violenta, seja por palavras ou actos. Há uns dias um familiar deu-me uma notícia bastante inesperada e, simultaneamente, emocionante. À conversa com uma senhora esse meu familiar repetiu o que ela lhe havia dito: “não me posso esquecer que foi no seguimento de uma pregação do seu filho que Deus me converteu!” Passados mais de 10 anos. E continua firme. Nessa pregação não houve apelos, choros, música temática ou quaisquer outros artifícios humanos para dar um empurrão às decisões. Sei que não houve porque fui eu a pregar. Além do mais só vim a saber passados estes anos todos. Nem sequer conheço a senhora em causa. 

Relato este caso, pois não sou o pastor convencional. Nada disso. Sempre me senti de certa maneira culpado e constrangido não pela minha rebeldia em relação àquilo a que se chama de convencional, mas pelo facto de nunca ter conseguido ser um pastor como os demais, como os meus amigos que admiro e cujo exemplo tento, de certa maneira, imitar. Mas Deus trabalhou, não por causa de mim, mas apesar de mim. Fiquei comovido pois o desalento e falta de coragem face às dificuldades exteriores e, principalmente, interiores são uma montanha quase sempre prestes a desabar sobre o que resta da minha coragem. Fiquei comovido pois vejo a obra de Deus a ser feita, em silêncio, discreta como uma brisa suave, sem violência, sem técnicas. Apenas a ser realizada.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O que para aí vem...


A teoria de uma conspiração universal destinada a estabelecer uma nova ordem mundial não é propriamente uma novidade. Essa tendência, de uma maneira ou de outra, já teve eco em quase todas as eras. Desde os primórdios da humanidade que o Homem sonha a conquista, a dominação, o estabelecer a sua própria ordem e regras. Os impérios, as colonizações são meras sombras de uma vontade inata de subjugar o Homem pelo Homem, de fazer prevalecer, a maior parte das vezes pela força, os usos e costumes do mais forte retirando daí dividendos materiais, sociais e morais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Como Jesus Vem a Newtown?


"Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se. . . porém um, que como nós, em tudo foi tentado." (Hebreus 4:15)

Assassinato em massa (ou massacre) é a razão pela qual Jesus veio ao mundo da maneira que ele veio. Qual o tipo de Salvador que nós precisamos quando nossos corações são triturados por perda brutal?

Nós precisamos de um Salvador sofredor. Nós precisamos de um Salvador que tenha provado o cálice do horror que nós estamos sendo forçados a beber.

E é assim que ele veio. Ele sabia o que este mundo precisava. Não um comediante. Não um herói desportivo. Não uma estrela de cinema. Não um génio político. Não um médico. Nem mesmo um pastor. O mundo precisava do que nenhum mero homem poderia ser.

O mundo precisava de um sofredor Soberano. Mero sofrimento não resolveria. Mera soberania não resolveria. Um não é forte o suficiente para salvar, a outra não é fraca o suficiente para simpatizar.

Então, ele veio como quem ele era: o Rei compassivo. O Conquistador moído. O Leão como um cordeiro. O sofredor Soberano.

Agora ele chega em Newtown, Connecticut.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Os “apóstolos” e os outros…

altar-callRecentemente gravei o filme do Robert Duvall cujo título é “O apóstolo” (http://www.imdb.com/title/tt0118632/). Não conhecendo o dito filme fiquei curioso com o título adivinhando que se trataria de mais um filme épico sobre a vida de Paulo, ou Pedro, ou outro apóstolo cujo ministério estaria descrito nas Escrituras. Completamente errado! Trata-se da história de um pastor pentecostal, na América profunda, cuja vida tomou um outro rumo devido a situações extra-conjugais igualmente provocadas pela sua mulher e outro pastor da mesma igreja.
Na minha opinião, neste filme é muito bem retratado a igreja pentecostal norte-americana numa América profunda fanaticamente ligada ao cristianismo, cheia de sensacionalismo, de barulho, de manifestações sensuais, com pouca pregação, mas bastante êxtase e emoção. Não raro é observar a confusão gerada em tais meios onde o “espiritual” é, na sua esmagadora maioria, confundido com o sensual e espectacular. Vem-me à memória o livro de John MacArthur sobre os carismáticos onde escreve “A obra do Espírito ficou confundida com êxtases pagãos” (Os Carismáticos, Editora Fiel, 1981, pág.. 109).

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ainda sobre o dia da mãe…

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Mais uma vez devo e vou contra a corrente. Nunca compreendi claramente o porquê dos evangélicos comemorarem em suas congregações um dia dedicado às mães. Por mais que busque uma razão nas Escrituras, a mesma teima em não aparecer. Sempre pensei que os cultos nas igrejas evangélicas deveriam primar pela simplicidade onde Deus e a sua obra deveriam ser o centro das atenções, onde a pregação da Palavra deveria ser fulcral, onde o louvor a Deus deveria ser exercido de uma maneira solene e respeitosa, onde a oração deveria tomar uma posição mais central, enfim, tudo aquilo que Jesus Cristo mais fazia enquanto homem na Terra. Tudo o resto se desnecessário, se não explicitamente ordenado, deveria ser pura e simplesmente erradicado de um culto.

sábado, 12 de maio de 2012

Catolicismo romano sem vergonha

Não que não seja nng1934181ada a que não estejamos habituados neste pobre país tão rico em cultura, mas tão pobre em princípios. Segundo noticiado no Jornal de Notícias do Porto, cristo foi à Católica fazer uma TAC (leia a notícia aqui). A estátua que representa a imagem do nosso Senhor de Matosinhos, antiga de cerca de 700 a 900 anos, é o objecto de um trabalho de Alexandre Maniés que procede à consolidação e ao restauro da escultura no âmbito de um mestrado na Universidade Católica. “Financiado pela autarquia, o trabalho permitiu perceber o avanço da degradação, causado insecto xilófago (bicho da madeira) e por restauros mal pensados.”

Santificação III

3. Crítica SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça) Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a...