terça-feira, 26 de junho de 2012

Os “apóstolos” e os outros…

altar-callRecentemente gravei o filme do Robert Duvall cujo título é “O apóstolo” (http://www.imdb.com/title/tt0118632/). Não conhecendo o dito filme fiquei curioso com o título adivinhando que se trataria de mais um filme épico sobre a vida de Paulo, ou Pedro, ou outro apóstolo cujo ministério estaria descrito nas Escrituras. Completamente errado! Trata-se da história de um pastor pentecostal, na América profunda, cuja vida tomou um outro rumo devido a situações extra-conjugais igualmente provocadas pela sua mulher e outro pastor da mesma igreja.
Na minha opinião, neste filme é muito bem retratado a igreja pentecostal norte-americana numa América profunda fanaticamente ligada ao cristianismo, cheia de sensacionalismo, de barulho, de manifestações sensuais, com pouca pregação, mas bastante êxtase e emoção. Não raro é observar a confusão gerada em tais meios onde o “espiritual” é, na sua esmagadora maioria, confundido com o sensual e espectacular. Vem-me à memória o livro de John MacArthur sobre os carismáticos onde escreve “A obra do Espírito ficou confundida com êxtases pagãos” (Os Carismáticos, Editora Fiel, 1981, pág.. 109).



Neste filme fica também patente o fervor da evangelização demonstrada por esta denominação que, diga-se de passagem, muitas vezes envergonha as igrejas que se orgulham de deter a boa doutrina sem, no entanto, demonstrar o amor devido pelas almas que deveria decorrer dessa mesma boa doutrina. Sem dúvida que o “evangelho-snob” muitas vezes articulado pelas igrejas não-pentecostais que exigem respeitabilidade e elegância produziu mais atritos teológicos que propriamente novos filhos de Deus. Igualmente que o “evangelho-popularucho” baseado na carne sensual e seus derivados não produziu coisa melhor: igrejas cheias de gente pseudo-convertida em leilões evangélicos. Uns são como a lua que emitem luz, mas não calor; os outros são como os fornos que emitem calor sem, no entanto, emitirem luz. Duas abordagens nocivas à evangelização, discipulado e gestão dos negócios de Deus.
Existe actualmente uma tentativa de fundir o popular com o doutrinalmente sólido o que resulta numa mistura estranha de falta de reverência a Deus ao mesmo tempo que se advoga o temor a ele. Prega-se a ordem e o respeito e, simultaneamente, encoraja-se o barulho e o sensualismo. Tal como os pecadores que gostam do fruto do Espírito sem, no entanto, gostar da sua natureza, ou da natureza da carne sem, no entanto gostar dos seus frutos, assim muitos cristãos gostam da boa doutrina sem, todavia, gostar da reverência que ela deveria provocar nas mentes e corações. Outros gostam da boa doutrina, gostam da reverência, dos debates teológicos, mas detestam que novos convertidos venham “dar trabalho” e provocar ondas nos seus lagos perigosamente calmos.
O nosso existencialismo sem “rei nem roque” apenas submetido ao que nós achamos que é autoridade, na sua maior parte das vezes não fundado nas Escrituras, mas nos nossos preconceitos, gostos e tendências tem gerado um cristianismo bastante fragmentado, inconsistente e sem fruto. Uma multidão de eleitos jaz na cidade sem ainda conhecer o poder de Deus, ansiando pela Luz, pela Verdade. Os próximos crentes da nossa igreja serão os drogados que deambulam pela rua, o jovem coberto de piercings e tatuagens, o estudante embriagado e promíscuo, as mães-solteiras com um passado duvidoso, o traficante perigoso e violento. O ladrão foi salvo, o jovem rico não.

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