Nietzsche e a morte de Deus. O que ele faz é mostrar para o homem moderno que Deus está morto e que nós todos somos os assassinos. Traz a luz sobre uma realidade incontornável do próprio movimento do esclarecimento, a saber, o Homem moderno é quem colocou o mundo e a História sob o signo da razão esclarecida, que abomina qualquer tipo de subjugação, de vassalagem, que é a razão absoluta da autodeterminação. Ora, manter Deus seria manter essa tal atitude de subordinação. Não admira, portanto, que Nietzsche erija a ciência moderna, ateísta por vocação, como uma espécie de emancipação humana anteriormente submissa ao divino e transcendente.
Teologia e Apologética Cristã em Portugal. Reflexões bíblicas e sociais à luz das Escrituras.
sexta-feira, 2 de setembro de 2022
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
Desafios contemporâneos
A verdade é que o cristianismo está em declínio na nossa cultura, uma cultura regressada ao culto pagão. Uma espécie de racionalismo ateísta oriundo das Luzes cuja sua ontologia nos leva a um evolucionismo diferente da hipótese emanacionista do tipo plotiniano ou bramânico, ou da criação ex-nihilo das religiões reveladas nas quais o Criador e a criação possuem essências radicalmente distintas e separadas. De acordo com esta ideia, a matéria evolui continuamente por si só e sem qualquer intervenção externa; isto ao ponto de se tornar mais complexa ao ponto de gerar a aparência espontânea da consciência e da mente. Nesta visão evolutiva de uma existência sem uma verdadeira causa espiritual primária – sem arkhè – a vida, a consciência e o espírito são apenas etapas sucessivas da mesma matéria autocriada e auto-organizada. Assiste-se a uma espécie de monismo invertido onde a matéria precede o espírito sendo que este último seria um estágio “evoluído” da matéria a qual está subjacente ao pensamento político, social e intelectual do Ocidente contemporâneo.
A decadência do cristianismo no Ocidente é um facto apesar do aparecimento contínuo e sistemático das chamadas Mega Igrejas
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Conservadorismo?
Existe a ideia que o novo é bom. Este é o núcleo do pensamento progressista cuja evolução da Humanidade assenta primordialmente, senão exclusivamente, na marcha inexorável da História rumo a um mundo novo e melhor. Através de uma revolução, armada ou não, mas sempre com o factor violência subjacente. Violento porque existe sempre uma violência na imposição do "novo", do "progressista" que subentende sempre o abandono do "velho", do "tradicional". É assim na sociedade e tem sido assim na teologia e práticas eclesiásticas: o "moderno" como norma ontológica da Verdade. O que é novo é bom, seja lá o que for.
Gostaria de citar um filósofo leigo de nome Roger Scruton que no bem conhecido seu livro "Como ser um Conservador", no capítulo sobre o conservadorismo ele escreve: "O processo pelo qual os seres humanos adquirem a própria liberdade também constrói vínculos afetivos, e as instituições da lei, do ensino e da política são parte disso — não coisas que escolhemos livremente a partir de uma posição de distanciamento, mas coisas pelas quais conquistámos nossa liberdade e sem as quais não poderíamos existir como agentes plenamente auto-conscientes.", ou seja, o processo através do qual os humanos conseguem erigir seus princípios de vivência e assim habitar em sociedade não parte de pensamentos a priori, mas do resultado de experiências vividas anteriormente e testadas ao longo do tempo.
E continuo com C. S. Lewis, mas como poderá um sistema imutável sobreviver ao contínuo crescer de conhecimento? Como poderá o antigo sobreviver ao moderno? Em certos casos podemos aceitar plenamente esta não-polémica: no erudito que estuda Platão e que, num momento, descortina a beleza literária, a metafísica e o seu lugar na História, e a posição bem diferente do aluno que ainda estuda o alfabeto grego. Através desse imutável sistema que é o alfabeto todo esta vasta e emotiva actividade tem lugar. Se este sistema fosse mudado seria o caos. Ou um estadista considerando a moralidade de medidas políticas que visam o bem comum e que poderão afectar milhões de cidadãos que se encontra numa posição bem diferente de uma criança que aprende desde cedo que roubar é feio. Mas é apenas enquanto o estadista considera a validade de princípios morais imutáveis, como a criança, que as medidas por si tomadas podem ser consideradas morais.
Porque a mudança não poderia ser considerada progresso se o seu núcleo não permanecer imutável. Uma pequena macieira transforma-se numa grande macieira. Se se transformasse numa pereira não seria crescimento, ou progresso, mas uma mera mudança. Porque existe uma diferença entre contar peças de fruta e chegar a resultados matemáticos complexos mas a tabuada e as regras de aritmética usadas em ambas as acções permanece a mesma, inalterável.
As regras da possibilidade de progresso exigem a existência de um elemento imutável. Novos odres para o novo vinho, mas não novos paladares, novos estômagos ou novas gargantas. De outra maneira não mais seria vinho para nós.
sábado, 18 de novembro de 2017
O género
Para implementar a sua ideologia Gramsci descobriu os três pilares culturais ocidentais que teriam de desabar: a ética judaico-cristã (fé no Deus de Israel), a filosofia grega (a razão filosófica, a razão aristotélica é considerada uma prática burguesa) e o direito romano (pensamento jurídico). A actual batalha cultural expressa-se na destruição destes três fundamentos (curiosamente o apóstolo Paulo expressava-se dentro destes paradigmas, pela sua fé, seu raciocínio lógico, sua defesa enquanto cidadão romano). Consegue-se descortinar as actuais tentativas modernas de abolição destes três pilares se considerarmos a luta contra o Cristianismo e seus princípios morais, a oscilação do pensamento lógico para um niilista, existencialista, a polilogia típica do pensamento marxista e a subversão do direito que introduziu a codificação, a questão dos bens, das sucessões, entre muitas outras indispensáveis ao actual sistema capitalista.
Com a gradual queda do conceito de classe operária oprimida, ou proletariado, e a ascensão da classe média devido ao avanço do sistema capitalista, o marxismo cultural cuja agenda é o desencadear uma revolução precisamente através da classe proletária oprimida no sentido de transformar o mundo pela eliminação de classes sociais, das desigualdades, da classe dirigente opressora, teve de encontrar novas “classes” de oprimidos, uma nova bandeira, a fim de fazer avançar a sua luta ideológica. Inventou-se assim o termo “excluídos”. Todo o ser humano se sente excluído de algo e isso sempre provoca insatisfação. Este é o combustível ideal para a revolta ideológica do marxismo. E que maior revolta pode haver do que a sociedade conservadora moldada pela moral judaico-cristã discriminar as escolhas sexuais individuais? Sob pretexto de justiça e equidade, virtudes essencialmente cristãs, os inimigos do cristianismo apoiam-se precisamente nelas para destruir o que as concebeu.
A ordem da Criação mesmo antes da queda no Éden já preconizava o trabalho, a família, o governo, a diferença de sexo, a autoridade. “Macho e fêmea (Deus) os criou”, relatam as Escrituras. Existe no desígnio divino uma clara distinção de género e embora essa distinção diante de Deus se apague (Gálatas 3.28), não é menos verdade que ela existe. Os principais mandamentos da ideologia do género, na sua tentativa de implementar uma nova crença progressista e anti-cristã, consistem na premissa que não há diferenças entre homens e mulheres, no libertar a mulher da opressão de uma sociedade patriarcal, emancipá-la da “discriminação”, que o papel tradicional da mulher no lar seria apenas uma construção social burguesa; o sexo biológico é modificável, é um dado transitório e maleável que pode ser transformado de acordo com a opção de cada um; a família nuclear e tradicional é um estereótipo, a família natural, segundo os ideólogos do género, será apenas uma norma social baseada na antiga opressão do homem sobre a mulher agora superado pela abstracção do género, o plural “famílias” passa a ser obrigatório e na lista entram, obviamente, todos os relacionamentos “poli-afectivos” redimidos da sexualidade tradicional; a paternidade é “dessexualizada”, se a família natural não passa de uma construção social, a consequência será a paternidade dessexuada. Os filhos deixam de ser fruto de uma sexualidade entre macho e fêmea para serem artificialmente concebidos In Vitro, em barrigas de aluguer. Falar da educação dos filhos por um casal homem-mulher é considerado ofensivo, porque tradicional e burguês. Os casais homossexuais são doravante erigidos em modelo de educação, não obstante as sérias objecções daí decorrentes; a classe falante (Pierre Bourdieux), os meios de comunicação social, são conquistados por uma minoria que eclipsa totalmente uma maioria mais conservadora e tradicional que não tem quem a represente e, consequentemente, é provocada a impressão de que a maioria conservadora é na verdade uma minoria. Existe uma óbvia tentativa de eliminar o cristianismo e substituí-lo por uma religião baseada no racionalismo e determinismo histórico, tendo o Estado omnipresente e omnipotente como seu deus e uma elite auto-eleita como seus profetas. O paraíso seria aqui e agora, na Terra, proposto por novos princípios humanistas, racionalistas e condicionados pela marcha inexorável do determinismo histórico.
O Marxismo Cultural, neste caso, trata-se de mais uma religião. Uma autêntica devoção com os seus dogmas, os seus profetas, o seu deus (o Estado), o seu paraíso (a Terra sob o marxismo globalizado). Ele é sempre um programa global, universal e necessita também de uma religião global e universal, ecuménica. As profecias serão cumpridas e o Cristianismo terá de ser globalmente ostracizado, cristianismo que está na origem da liberdade individual, do trabalho meritório, do direito à propriedade privada, do direito à vida, da ideia do pecado, da Lei Natural, da família tradicional base da sociedade. Gramsci entendeu claramente que enquanto o cristianismo não fosse destruído e permanecesse uma tradição vincada no Ocidente não haveria nenhuma revolução proletária. A História o comprovou.
domingo, 8 de outubro de 2017
Oração
"Não é absolutamente necessário para a salvação de um homem que ele leia a Bíblia. Um homem pode não ter aprendido nada, ou ser cego, e ainda assim ter Cristo no seu coração. Não é absolutamente necessário que um homem deva ouvir a pregação pública do Evangelho. Ele pode viver onde o Evangelho não é pregado, ou ele pode estar acamado, ou ser surdo. Mas, a mesma coisa não pode ser dita sobre a oração. A oração de um homem é absolutamente necessária para sua salvação." (J C. Ryle - Um Chamado à Oração)
Permitam-me transcrever este belo e rico trecho de um dos meus autores preferidos, o bispo J. C. Ryle. É um deleite gastar o meu tempo a ler as obras deste grande homem de Deus. Este capítulo "A Call to Prayer" é parte de um livro intitulado "Practical Religion" que deveria constar na biblioteca de qualquer cristão.
Muita polémica sobre a oração e a sua relação tanto com a omnipotência de Deus, como com a predestinação. Se bem que nem sempre andamos sobre a linha do bom senso do que compreendemos por predestinação e pela omnisciência divina, a oração, apesar das suas alegadas implicações lógicas, não deixa de ser um mandamento divino: "quero pois que os homens orem em todo o lugar", escrevia Paulo a Timóteo.
Mas o dilema sobre a oração tende a desaparecer se nós primeiramente compreendermos a oração ao invés do resto. A oração não muda Deus. A oração muda a pessoa que ora. É mais uma questão de relacionamento que de petição. Daí o sentimento que deve acompanhar a oração e que é aperfeiçoado pelo próprio acto de orar. Oramos para não pecarmos, mas é definitivamente importante que não pequemos para podermos melhor orar.
"Eu tenho uma pergunta para lhe fazer. Ela é composta de duas palavras: VOCÊ ORA?"
sábado, 30 de setembro de 2017
O cristão nas urnas
Dizendo de outra maneira, a Igreja de Cristo em Portugal é chamada a participar na vida política nacional. Não é legítimo o cristão se abster deste seu dever cívico sob pretexto de espiritualidade, ou de desprezo pelas instituições do poder nacional até porque ele é chamado a orar pelas autoridades do governo e respeitá-las. O crente pode e deve, através do voto secreto, acção proporcionada pelo sistema "menos mau de todos" chamado de democracia, ter uma palavra a dizer no desenrolar da vida política do seu país o que irá, evidentemente, ter repercussões na vida das igrejas locais, nacionais, questões sociais fracturantes, perseveração dos bons usos e costumes, servir de força de bloqueio a ideologias evolucionistas e ateístas cada vez mais presente no nosso quotidiano.
Ontologicamente a Igreja "não é" do mundo, mas temporalmente ela "está" no mundo. Embora a revelação na Palavra de Deus seja a revelação especial aos crentes, a revelação geral (lei moral) é para toda a gente. Existe uma revelação Natural comum a todos os seres humanos. Ela não começou com os cristãos, mas é encontrada em escritos hindus, chineses, gregos, anteriores à época de Cristo. Esta lei Natural, embora obscurecida pelo pecado, não está completamente esquecida e reflecte a imagem de Deus na humanidade e é precisamente esta lei Natural que os movimentos progressistas, ateus e evolucionistas que colocam o Estado secular acima da Igreja dominando-a, Estado este que pretende substituir-se a Deus e cujo secularismo acabará por impor a irreligião, pretendem aniquilar com decretos claramente inspirados nos manifestos Humanistas abrindo assim lugar a uma sociedade dominada pelo Estado através de uma elite, sem Deus, sem outra religião que a do Estado, sem outra lei moral que a humana.
É pela oração e pelo voto, não pela força das armas ou violência, que o crente que não é deste mundo pode aspirar a ter paz neste mundo que não é seu.
terça-feira, 10 de março de 2015
Os 25 países mais ateus
Santificação III
3. Crítica SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça) Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a...
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Deparei-me há pouco tempo com a existência cada vez mais acentuada e aceite deste novo (antigo) movimento denominado neo-calvinismo ou, no...
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SANTIFICAÇÃO POSICIONAL : trata da mudança de posição da pertença do mundo para a pertença do Reino de Deus. 1. Santificação Posicional ...
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Por mais que leia e releia, J. C. Ryle é, inconfundivelmente, um dos meus escritores cristãos de eleição. Considero o seu legado único tant...
