sábado, 28 de abril de 2012

O que para aí vem...


A teoria de uma conspiração universal destinada a estabelecer uma nova ordem mundial não é propriamente uma novidade. Essa tendência, de uma maneira ou de outra, já teve eco em quase todas as eras. Desde os primórdios da humanidade que o Homem sonha a conquista, a dominação, o estabelecer a sua própria ordem e regras. Os impérios, as colonizações são meras sombras de uma vontade inata de subjugar o Homem pelo Homem, de fazer prevalecer, a maior parte das vezes pela força, os usos e costumes do mais forte retirando daí dividendos materiais, sociais e morais.

O que distingue a sede de conquista do antes e do agora é a sua universalidade e meios disponíveis. Universalidade porque o planeta está encurtado devido à proximidade facultada sobretudo e principalmente pelos meios de comunicação. Quando a figura do Cristiano Ronaldo se torna mais familiar que a do nosso vizinho do lado então é porque alguma coisa de inédito se está a passar. São estes mesmos meios disponibilizados por uma “sociedade onde o poder é inseparável da riqueza e a riqueza é inseparável da velocidade. Não poder democrático, mas poder domocrático – do grego dromos, corrida – e toda a sociedade é uma sociedade de corrida” (Paul Virilio) que está fazendo desta sociedade uma sociedade cosmopolita global. Mesmo a democracia deve a sua expansão à influência do progresso das comunicações a nível global.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

10 considerações sobre a Igreja actual

Ninguém pode, em toda a honestidade, negar a realidade de uma crise na Igreja da Europa. O fechar os olhos à crise eclesiástica não é uma prova de amor, pois o verdadeiro amor não aceita cega e passivamente os defeitos do ser amado. Qualquer observador atento concorda que existe uma verdadeira perturbação na Igreja europeia. Como se manifesta esta crise?

1. A descristianização da Europa. “Deus está morto”, escreveu Nietzsche e é este o refrão que ecoa na existência de uma sociedade anestesiada pelo conforto, abundância e luxúria. O Paraíso tem-se tornado um subúrbio da grande cidade Terra e a existência terrestre tem sido a única realidade presente. A maior tarefa que o europeu emprega neste século XXI é de tornar esta existência o mais prazenteira possível. Todo o pensamento humano se tem tornado existencialista, todos os seus esforços se têm concentrado no melhoramento das condições da vida presente.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Cristianismo contemporâneo


Grande parte dos argumentos apresentados pelos proponentes de mudanças drásticas na liturgia, música e estilo na Igreja de Cristo provêm da teoria das zonas cinzentas. Segundo eles, as zonas cinzentas, áreas de incerteza prática e/ou teológica são um justificativo para operar medidas de transformação no que etiquetam de velho, rotineiro ou desmodado. Consciente ou inconscientemente – esta última devido a deficiências no ensino bíblico – os actores da igreja contemporânea elegem esta última como um palco por excelência para as suas actividades modernas em busca de granjear mais e mais indivíduos para os bancos da Igreja. O que não têm noção é que o cinzento é apenas a mistura do branco e do preto que povoa o texto bíblico desde o Génesis até ao Apocalipse e que Deus explana todo o seu ensino em termos dualísticos, ou seja, em branco e preto: bênção/maldição, amor/ódio, vida/morte, pecado/santidade, Deus/diabo, bem/mal.

Sob pretexto de “querer” salvar ou contribuir para a salvação de almas, o crente contemporâneo faz uso de toda a panóplia de técnicas e recursos existentes que bastantes provas têm dado no mundo das vendas e do marketing. O refrão é: “não devemos chocar os descrentes”, “devemos dar-lhes o que eles querem”, “devemos fazer com que a Igreja seja um local prazenteiro para eles”. Bastante pragmáticos, eles acarinham a máxima de que “os fins justificam os meios”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dinamarca - os homossexuais poderão unir-se em matrimónio na igreja do estado

A partir do próximo verão, os casais homossexuais poderão expressar os seus votos de matrimónio nas igrejas estatais dinamarquesas, explica na primeira página o diário dinamarquês Politiken. Trata-se de uma decisão do novo governo dinamarquês, social-democrata, recém eleito em Setembro último. Actualmente, os pastores da igreja do povo dinamarquês - luterana - que é a igreja oficial do estado, podem simplesmente "abençoar" os casais homossexuais. O Politiken precisa, todavia, que os pastores poderão recusar casar um casal homossexual.


Fonte: http://www.courrierinternational.com/breve/2011/11/23/les-homosexuels-pourront-s-unir-devant-dieu-aussi

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Neo-Calvinismo

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Deparei-me há pouco tempo com a existência cada vez mais acentuada e aceite deste novo (antigo) movimento denominado neo-calvinismo ou, no seu termo original anglo-saxónico, new calvinism. As igrejas adeptas desta forma doutrinal estão cheias e os seus proponentes são considerados por revistas seculares da especialidade como dos mais influentes fazedores de opinião nos círculos eclesiásticos norte-americanos. Os jovens aderem em massa aos encontros, centenas de milhares de downloads de mensagens do género são efectuados, uma imensa rede de recursos eclesiásticos está disponível online, várias igrejas, aparentemente comprometidas com a transmissão de valores cristãos na sociedade, desponta numa sociedade visivelmente pós-cristã e relativista nos seus valores morais e colectivos.
O que é o neo-calvinismo? O termo neo significa novo e o termo Calvinismo é o nome dado ao ramo do Protestantismo que seguiu os ensinos do reformador Calvino. Assim, o termo neo-calvinismo sugere uma forma de Calvinismo diferente do seu significado original.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

494 anos de Reforma protestante

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O mundo mudou completamente quando no dia 31 de Outubro de 1517 um monge destemido de nome Martinho Lutero prega na porta da catedral de Wittemberg as suas 95 teses denunciando doutrinas da igreja católica-romana. De início, Lutero apenas pretendia a reforma da citada instituição religiosa que personificava a religião estatal predominante. Embora a génese deste protesto tenha sido de cariz religioso, logo as forças políticas tiraram o devido partido e estimularam o movimento pela Europa especialmente nos países do centro e norte. O pensamento Renascentista, os abusos católico-romanos e a descoberta de novos mundos que proporcionaram uma visão civilizacional fora da esfera católica-romana deram o impulso desejado a este movimento. A ascensão de uma burguesia comerciante e a insatisfação das casas reais devido à intromissão papal nos assuntos de estado impeliram politicamente a Reforma no seu sentido mais secular.

Santificação III

3. Crítica SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA (obras salpicadas pela graça) Normalmente acontece que os crentes recentemente convertidos são levados a...