Celebra-se hoje a festa da Imaculada Conceição de Maria, padroeira e rainha de Portugal. Foi D. João IV quem decidiu consagrar o país a Nossa Senhora, após a restauração da independência, desde então nunca mais os reis portugueses voltaram a colocar a coroa na cabeça.
Uma devoção com raízes que se perdem no tempo, como recorda o reitor do Santuário de Vila Viçosa, padre Mário Tavares de Oliveira. “Vila Viçosa é o primeiro tempo dedicado à Imaculada Conceição na Península Ibérica, que denota no século XIV um crescendo desta devoção, culminando com o acto de D. João IV, que no dia 25 de Março de 1646, proclama Nossa Senhora da Conceição padroeira de Portugal.”
Tendo em conta esta "saudade" própria do povo português à volta do mito de um qualquer D. Sebastião, um "escolhido" que livrará o povo, sebastianismo resultante do desencanto lusitano pelo presente, seja ele qual for, que provoca aquele mal-estar de nunca se estar bem onde se está, de só se querer ir onde não se quer, importa referir que a dinastia de Bragança, aquando da restauração da independência em 1640, elegeu a deusa pagã Maria, suposta e infelizmente nomeada rainha dos céus pela alegada igreja católica romana, como rainha de Portugal. Desde 1646 que os Reis de Portugal são representados sem coroa nas suas cabeças. Ela está colocada nessa deusa pagã. Este sacrilégio tem directas consequências sobre o futuro tanto ético, como económico, como político, deste jardim à beira-mar plantado. O abandono do Criador em favor da criatura tem consequências gravíssimas.
Não vale a pena tecer considerações sobre a resolução de problemas no nosso país. O grande problema começa pelas prioridades...
Teologia e Apologética Cristã em Portugal. Reflexões bíblicas e sociais à luz das Escrituras.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
31 de Outubro
Enquanto no mundo este dia 31 de Outubro é comemorado como o "Dia das Bruxas", uma invenção e tradição norte-americana directamente trazida das religiões pagãs e, infelizmente, adoptada por quase todos os países ocidentais, esta data é principalmente importante porque foi neste dia, em 1517, que um monge arriscou a vida pregando na catedral de Wittenberg, Alemanha, as suas famosas 95 teses que despoletariam o movimento reformador chamado Protestante.
Ao desafiar a autoridade do Papa e os ensinos da religião Católica Romana no que respeita às indulgências e penitência, Martinho Lutero abriu a porta ao debate teológico que culminaria com o estender da doutrina protestante, mãe (ou para alguns madrasta) dos movimentos evangélicos tal como os conhecemos hoje.
31 de Outubro é, igualmente, um dia negro na história religiosa contemporânea. Em 1999 a igreja Luterana e a Católica assinam uma declaração conjunta sobre a doutrina da Justificação, doutrina essa que esteve no âmago das discussões teológicas no séc. XVI e cujo enunciado protestante originou a cisão com a então religião estatal. Esquecendo há muito as suas origens, as igrejas das várias denominações tendem a cair, não a subir. E os princípios teológicos, que para muitos apenas são pormenores, revestem-se cada vez mais de uma importância crucial nesta selva teológica. Os luteranos concordam com a doutrina soterológica dos católicos ressalvando diferentes desdobramentos, ou seja, os luteranos são católicos romanos. E muitos há que enveredam pelos mesmo caminhos de relaxe e frouxidão teológicos. Martinho Lutero, Calvino e outros gigantes da Reforma têm as suas memórias traídas...
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Por mais que leia e releia, J. C. Ryle é, inconfundivelmente, um dos meus escritores cristãos de eleição. Considero o seu legado único tanto pela sua profundidade espiritual fundada na são doutrina, como fácil legibilidade e pertinência nos temas. Ler J. C. Ryle é mergulhar numa teologia prática, simultaneamente austera e calorosa, pragmática e erudita. Quem nunca leu Holiness? Ou Pratical Religion? Ou os comentários do Novo Testamento? Ou os seus Daily Readings? Ele consegue dizer as mesmas coisas sempre de uma maneira diferente e atraente, descontraída e sóbria. Com a leitura das obras de J. C. Ryle o mundo evangélico está, indubitavelmente, mais espiritual e academicamente rico. Também mais responsável!
J. C. Ryle é altamente recomendado para aqueles que não se contentam na sua meninice cristã e anelam por um crescimento espiritual sólido e sustentado. Os outros podem sempre ler livros de motivação pessoal que pululam as nossas livrarias...
sábado, 28 de agosto de 2010
Actualidade do Cristianismo
http://jonasmadureira.blogspot.com/
Tomo a liberdade de referir a hiperligação supra referente a um blog cujo conteúdo costuma ser bem interessante, actual e pertinente.
Nesta última intervenção o autor toca num ponto deveras importante: estamos no século XXI!
"Ouvindo algumas pregações aqui e acolá, em canais de TV e em igrejas, percebo que muitos dos discursos e pregações de nossos dias estão muito distantes de ser comparados às pregações empolgantes de Jesus. Acredito que uma das razões seja a nossa incapacidade de ler nosso tempo, agravada pela pobreza de nossa leitura dos desígnios de Deus, expressos nas Escrituras. Quando digo “ler nosso tempo”, digo “ler as pessoas de nossos dias”. Jesus entendia o homem de seu tempo como ninguém. Ele compreendia as questões que o homem de seu tempo fazia e, por isso, respondia de forma relevante aos publicanos e pecadores de seu tempo.
Em contrapartida, nossa leitura do varão hodierno — ops! do homem de hoje! — é vergonhosa. Não entendemos seus pensamentos, não entendemos suas questões. Às vezes, tenho a impressão de que a maioria de nós está falando para homens do século XIX, e não só com uma linguagem oitocentista, mas — o que é pior ainda — usando uma lógica e um tipo de reflexão e postura intelectual que é típico do universo espiritual oitocentista."
Tomo a liberdade de referir a hiperligação supra referente a um blog cujo conteúdo costuma ser bem interessante, actual e pertinente.
Nesta última intervenção o autor toca num ponto deveras importante: estamos no século XXI!
"Ouvindo algumas pregações aqui e acolá, em canais de TV e em igrejas, percebo que muitos dos discursos e pregações de nossos dias estão muito distantes de ser comparados às pregações empolgantes de Jesus. Acredito que uma das razões seja a nossa incapacidade de ler nosso tempo, agravada pela pobreza de nossa leitura dos desígnios de Deus, expressos nas Escrituras. Quando digo “ler nosso tempo”, digo “ler as pessoas de nossos dias”. Jesus entendia o homem de seu tempo como ninguém. Ele compreendia as questões que o homem de seu tempo fazia e, por isso, respondia de forma relevante aos publicanos e pecadores de seu tempo.
Em contrapartida, nossa leitura do varão hodierno — ops! do homem de hoje! — é vergonhosa. Não entendemos seus pensamentos, não entendemos suas questões. Às vezes, tenho a impressão de que a maioria de nós está falando para homens do século XIX, e não só com uma linguagem oitocentista, mas — o que é pior ainda — usando uma lógica e um tipo de reflexão e postura intelectual que é típico do universo espiritual oitocentista."
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A preguiça afinal é uma doença... segundo a ciência.
Afinal a preguiça não é pecado, é apenas uma doença, segundo os médicos Richard Weiler e Emmanuel Stamatakis (http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=62&id_news=464051) De acordo com estes médicos a preguiça "deve ser considerada como doença, porque a ligação entre sedentarismo e saúde é muito forte".
A preguiça não é mais pecado, o que contraria as Escrituras e até o próprio bom senso, "Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?", Provérbios 6:9. Por várias vezes a Bíblia nos adverte contra a preguiça sendo que esta está em plena oposição com a diligência. O povo de Israel foi admoestado contra a preguiça de tomar a terra prometida (Juízes 18:9); os cretenses eram preguiçosos, mentirosos e bestas ruins (Tito 1:12).
Convém salientar que as bases fundamentais de uma sociedade como o trabalho, governo e família, conforme nos é descrito em Génesis mesmo antes do relato da queda, são os sectores mais frequentemente atacados na nossa sociedade. No que respeita ao trabalho sublinhamos que o mesmo não é resultado da queda. Não trabalhamos porque é uma maldição. O suor no trabalho é que é uma maldição imposta por Deus, resultado da queda no Éden. Ora, se trabalhar é penoso e a preguiça, ou recusa em trabalhar, apenas uma doença e não uma resistência ao mandamento de Deus, então o que o Homem precisa é de terapia e não de arrependimento. Psicologia moderna: alívio do sentimento de culpa e auto-comiseração. Transformar a preguiça - pecado - em doença é mais uma tentativa diabólica de subjectivar a obra de Satanás elevando o Homem e o seu ego ao nível de Deus: "Vós sereis como Deus!", dizia o diabo no Éden.
Passamos a ter a humanidade como doentes, não como pecadores. O problema é que Cristo não os veio salvar, pois Cristo apenas salva pecadores, não doentes. A psicologia salva doentes, não pecadores.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Conversão
É recorrente no meio evangélico ouvirmos falar de conversão. Fala-se de convertidos, de conversão, mas pouco ou nada se compreende deste termo. Desde já, conversão, segundo o dicionário, trata-se de uma "mudança de forma ou qualidades sem mudança de substância", segundo o dicionário da Língua Portuguesa, Porto Ediora, 8ª edição. É uma transformação visível da forma, do perceptível, mas sem alteração da substância. O dicionário poderia ser frequentemente utilizado como dicionário cristão, se quisermos compreender o termo conversão à luz do presente século: "mudança da forma sem alteração da substância".
Nada poderia estar mais equivocado se tomarmos o citado termo em função do ensino bíblico. A mudança de forma sem mudança de substância é apenas farisaísmo, "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Condutores cegos! Que coais um mosquito e engolis um camelo" (Mateus 23.23-24). A conversão de que a Palavra fala é um "novo nascimento", uma alteração da substância, um novo Homem, um novo princípio orientador que guiará mente e corpo. Uma nova natureza que será o princípio segundo o qual o novo homem viverá, falará, agirá.
Tão somente compreenderemos esta nova substância, ou natureza, a partir do momento em que a nova vida fluir de uma maneira natural de quem a possui. Muitos pseudo-cristãos têm o modo sem, no entanto, possuírem a sua natureza; têm exterior, mas sem verdadeiro interior; têm forma, mas não o conteúdo. As suas vidas não passam de uma verdadeira esquizofrenia espiritual, uma eterna batalha entre o que é e o que se revela, entre o ser e o parecer. A Lei em todo o seu esplendor: "Não farás! Não serás! Não, não, não..." e tudo isto de acordo com parâmetros bastante assépticos formulados pelas ASAE's que pululam no meio cristão. Conta-se que um Pastor dirigiu uma grande pregação precisamente sobre este tema, numa pequena igreja de província. No final um modesto agricultor dirigiu-se a ele para o cumprimentar e, simultaneamente, convidá-lo para almoçar na sua casa. O grande argumento que convenceu este pastor foi a possibilidade de conhecer o melhor crente da igreja. Durante o almoço o agricultor, a sua mulher e o pastor conversavam e este último não conseguia esconder a expectativa de conhecer este "famoso" melhor crente da igreja que nem sequer tinha ido à reunião de Domingo. Sem poder aguentar mais a sua curiosidade, o pastor pergunta, "Irmão, onde está esse tal crente de que me falou no final da reunião? Gostava muito de o conhecer." O agricultor levanta-se, agarra no braço do pastor e dirigem-se ao curral onde estava um burro velho amarrado. "Segundo a sua pregação de hoje de manhã eis aqui o melhor crente. Repare, não fuma, não bebe, não vai a discotecas, não veste roupa mundana, não sai à noite. Sem dúvida que é um crente maravilhoso".
Touché!
A forma sempre foi uma preocupação doentia daqueles que sabem não ter bastante conteúdo. É a lei da compensação humana: exageramos num sentido quando temos defeito do outro. No cristianismo passa-se o mesmo. Muitos ainda não compreenderam que a conversão, ou novo nascimento, é uma acção do Espírito Santo numa nova natureza em Cristo que nos é outorgada aquando da declaração de justo por Deus no seu tribunal. Quando prestei o meu serviço militar nos pára-quedistas recebíamos um diploma de final de curso, o nosso nome era averbado nos registos oficiais e brevetados. Tínhamos um código de conduta bem específico que deveria ser cumprido à risca sob pena de graves sanções. No decorrer do serviço, todavia, havia homens que não o cumpriam integralmente, não mais que qualquer outro homem de outro qualquer serviço ou arma. Mas não era por isso que ele deixava de ser o que era nos registos oficiais. Foi declarado pára-quedista e o seu registo o provava. Até podia ser uma mau pára-quedista, mas não deixava de o ser. Outros até podiam ter uma melhor conduta, mas não era por isso que se tornavam pára-quedistas. Só o era quem tinha sido declarado como tal. No entanto, o facto de o ser moldava a nossa vontade afim de tudo fazermos para nos comportarmos como tal e honrarmos a farda que envergávamos.
Ilustração frágil, mas não deixa de ser uma imagem do que se passa no nosso meio cristão. Existem os que são e os que parecem ser. Por vezes os que são nem sequer parecem ser, mas acabarão por ser o que já são. Os que parecem ser nunca o serão pelas suas parecenças. Os que se escudam no velho dito "Deus vê o interior" para desculpar a negligência exterior mostram que não têm a vontade moldada segundo o novo princípio de vida. Se somos crentes, a nossa vontade (aquela faculdade, ou princípio da mente, pela qual é capaz de realizar escolhas) é moldada pela nova natureza, cuja mente renovada escolhe fazer a vontade de Deus. O crente luta, guerreia contra outra lei, a dos seus membros, contra outro princípio, o velho, mas o verdadeiro crente acabará por triunfar. Pode até haver indivíduos que se comportem como melhores crentes, segundo os padrões evangélicos, que nem sempre coincidem com os bíblicos, mas o verdadeiro crente está averbado como crente no livro da vida. Ele é declarado justo e, por essa declaração, a sua mente iluminada por um novo princípio de vida, escolherá sempre, ou quererá escolher, o que agradará a Deus. O ser e o devir.
"Pelos frutos os conhecereis!" Sem dúvida, mas o Homem que proferiu estas palavras proferiu estas também "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundície." (Mateus 23.3). A cal branca nem sempre é sinal de vida.
Nada poderia estar mais equivocado se tomarmos o citado termo em função do ensino bíblico. A mudança de forma sem mudança de substância é apenas farisaísmo, "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Condutores cegos! Que coais um mosquito e engolis um camelo" (Mateus 23.23-24). A conversão de que a Palavra fala é um "novo nascimento", uma alteração da substância, um novo Homem, um novo princípio orientador que guiará mente e corpo. Uma nova natureza que será o princípio segundo o qual o novo homem viverá, falará, agirá.
Tão somente compreenderemos esta nova substância, ou natureza, a partir do momento em que a nova vida fluir de uma maneira natural de quem a possui. Muitos pseudo-cristãos têm o modo sem, no entanto, possuírem a sua natureza; têm exterior, mas sem verdadeiro interior; têm forma, mas não o conteúdo. As suas vidas não passam de uma verdadeira esquizofrenia espiritual, uma eterna batalha entre o que é e o que se revela, entre o ser e o parecer. A Lei em todo o seu esplendor: "Não farás! Não serás! Não, não, não..." e tudo isto de acordo com parâmetros bastante assépticos formulados pelas ASAE's que pululam no meio cristão. Conta-se que um Pastor dirigiu uma grande pregação precisamente sobre este tema, numa pequena igreja de província. No final um modesto agricultor dirigiu-se a ele para o cumprimentar e, simultaneamente, convidá-lo para almoçar na sua casa. O grande argumento que convenceu este pastor foi a possibilidade de conhecer o melhor crente da igreja. Durante o almoço o agricultor, a sua mulher e o pastor conversavam e este último não conseguia esconder a expectativa de conhecer este "famoso" melhor crente da igreja que nem sequer tinha ido à reunião de Domingo. Sem poder aguentar mais a sua curiosidade, o pastor pergunta, "Irmão, onde está esse tal crente de que me falou no final da reunião? Gostava muito de o conhecer." O agricultor levanta-se, agarra no braço do pastor e dirigem-se ao curral onde estava um burro velho amarrado. "Segundo a sua pregação de hoje de manhã eis aqui o melhor crente. Repare, não fuma, não bebe, não vai a discotecas, não veste roupa mundana, não sai à noite. Sem dúvida que é um crente maravilhoso".
Touché!
A forma sempre foi uma preocupação doentia daqueles que sabem não ter bastante conteúdo. É a lei da compensação humana: exageramos num sentido quando temos defeito do outro. No cristianismo passa-se o mesmo. Muitos ainda não compreenderam que a conversão, ou novo nascimento, é uma acção do Espírito Santo numa nova natureza em Cristo que nos é outorgada aquando da declaração de justo por Deus no seu tribunal. Quando prestei o meu serviço militar nos pára-quedistas recebíamos um diploma de final de curso, o nosso nome era averbado nos registos oficiais e brevetados. Tínhamos um código de conduta bem específico que deveria ser cumprido à risca sob pena de graves sanções. No decorrer do serviço, todavia, havia homens que não o cumpriam integralmente, não mais que qualquer outro homem de outro qualquer serviço ou arma. Mas não era por isso que ele deixava de ser o que era nos registos oficiais. Foi declarado pára-quedista e o seu registo o provava. Até podia ser uma mau pára-quedista, mas não deixava de o ser. Outros até podiam ter uma melhor conduta, mas não era por isso que se tornavam pára-quedistas. Só o era quem tinha sido declarado como tal. No entanto, o facto de o ser moldava a nossa vontade afim de tudo fazermos para nos comportarmos como tal e honrarmos a farda que envergávamos.
Ilustração frágil, mas não deixa de ser uma imagem do que se passa no nosso meio cristão. Existem os que são e os que parecem ser. Por vezes os que são nem sequer parecem ser, mas acabarão por ser o que já são. Os que parecem ser nunca o serão pelas suas parecenças. Os que se escudam no velho dito "Deus vê o interior" para desculpar a negligência exterior mostram que não têm a vontade moldada segundo o novo princípio de vida. Se somos crentes, a nossa vontade (aquela faculdade, ou princípio da mente, pela qual é capaz de realizar escolhas) é moldada pela nova natureza, cuja mente renovada escolhe fazer a vontade de Deus. O crente luta, guerreia contra outra lei, a dos seus membros, contra outro princípio, o velho, mas o verdadeiro crente acabará por triunfar. Pode até haver indivíduos que se comportem como melhores crentes, segundo os padrões evangélicos, que nem sempre coincidem com os bíblicos, mas o verdadeiro crente está averbado como crente no livro da vida. Ele é declarado justo e, por essa declaração, a sua mente iluminada por um novo princípio de vida, escolherá sempre, ou quererá escolher, o que agradará a Deus. O ser e o devir.
"Pelos frutos os conhecereis!" Sem dúvida, mas o Homem que proferiu estas palavras proferiu estas também "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundície." (Mateus 23.3). A cal branca nem sempre é sinal de vida.
sábado, 19 de junho de 2010
Saramago morreu, ass. Deus
Livre-pensamento? Livre de quê? Mas será que existe ainda alguém que pense ser livre seja do que for? Como todos nós, Saramago era um prisioneiro, agrilhoado aos seus preconceitos, à sua irreverência, à sua descrença (ou crença), ao seu passado, às suas convicções. Saramago era mais um desses novos apóstolos, novos arautos de ideias "evolutivas" tão queridos pelo "povinho" sedento de novidade, de irreverência e de rebeldia.
Não há nada de novo debaixo do sol. Saramago, o prémio Nobel português da literatura, morreu. Deixou de existir. Já não é. Para trás fica uma vida literária e política semeada de controvérsia e polémica. Uma vida intelectualmente relevante, mas ideologicamente bastante pobre. Saramago já não é. Está na hora de prestar contas, como todos nós o faremos por mais ateus que sejamos e quer queiramos quer não, ao seu Criador. O prémio Nobel não lhe servirá de nada; a sua relevância enquanto figura pública também não; o seu legado só lhe servirá de acusação. Saramago morreu, Deus vive!
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