sábado, 12 de maio de 2012

Catolicismo romano sem vergonha

Não que não seja nng1934181ada a que não estejamos habituados neste pobre país tão rico em cultura, mas tão pobre em princípios. Segundo noticiado no Jornal de Notícias do Porto, cristo foi à Católica fazer uma TAC (leia a notícia aqui). A estátua que representa a imagem do nosso Senhor de Matosinhos, antiga de cerca de 700 a 900 anos, é o objecto de um trabalho de Alexandre Maniés que procede à consolidação e ao restauro da escultura no âmbito de um mestrado na Universidade Católica. “Financiado pela autarquia, o trabalho permitiu perceber o avanço da degradação, causado insecto xilófago (bicho da madeira) e por restauros mal pensados.”


Não desejo falar da pecaminosidade de Portugal no que respeita à idolatria e perversão religiosa a qual faz parte integrante da cultura popular nacional desde que Portugal tem este nome e herdado dos povos habitantes da península. Deste problema fundamental que Antero de Quental tão soberbamente desmascarou na sua obra “Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” em que o catolicismo-romano não é identificado com o cristianismo, que o sentimento cristão veio a cristalizar-se na instituição católica-romana pelo concílio de Trento e Inquisição – esta última fomentando um terror invisível que paira sobre a sociedade fazendo da hipocrisia um vício nacional e necessário – e onde é apontado o atraso nacional à superstição e absolutismo social resultante da ausência de uma Reforma banida por Trento.

Não desejo falar, igualmente, das técnicas e da habilidade dos órgãos da comunicação social em encontrar títulos e textos devidamente manobrados e manipulados, recheados de insinuações e humor, destinados a causar o maior impacto e curiosidade a quem ainda não decidiu qual o jornal a comprar. É o trabalho deles e são mestres no assunto. Basta reparar nos trocadilhos utilizados.

O que me vem à ideia é, em primeiro lugar, a falta de moral social que transparece nesta notícia. É que existem muitos cidadãos que têm de esperar meses, senão anos, para fazer um exame deste tipo e quando surge a oportunidade talvez não tenham posses para o fazer. Submeteu-se um boneco de madeira com vários séculos de idade para chegar à conclusão que o referido tem o bicho da madeira! E isto tudo financiado pela autarquia que, diga-se de passagem, não sofre de muito boa saúde financeira. Esta acção denota, igualmente, o nível intelectual que assombra a nossa lusa sociedade: fazer um TAC a um bocado de madeira!!! “Ridículo... O governo corta na saúde ao comum dos mortais e ainda têm que esperar anos para o fazerem no sistema publico de saúde e a Igreja dá-se ao luxo de fazer um TAC a um boneco de madeira... deplorável... Era melhor que a Igreja ajudasse os pobres que necessitam nestes tempos de crise em vez de gastar dinheiro nestas palermices”, escreve um leitor e com razão. Além do Vaticano ingerir-se na política nacional na questão dos feriados, mostrando que a soberania nacional está, de facto, submetida à nossa (deles) senhora, o Zé Povinho delicia-se encantado com estas “restaurações” da fé católica-romana no desejo que Deus, eventualmente, ou melhor, qualquer santinho que exista por aí, possa agradar-se de tão nobre acto e abençoe este pobre “jardim à beira-mar plantado” restaurando-lhe o brio e grandeza de outrora.

O que me vem à ideia em segundo lugar é a falta de reacção por um lado por parte da igreja nacional instituída que nem uma palavra profere ao ver o ser humano ser colocado em segunda prioridade relativamente a um boneco e a gritante falta de reacção da comunidade evangélica, demasiadamente preocupada com as suas igrejinhas e sem tempo para notar que as almas se vão perdendo muito por inacção de quem devia falar e não fala… ou por ignorância, ou por cobardia. Certamente que não devemos esperar que a Aliança Evangélica o faça. Por amor da união dos cristãos ela manterá silêncio sobre estas barbaridades.

Isa 58:6-7, “Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e que despedaces todo o jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desterrados? E, vendo o nu, o cubras e não te escondas daquele que é da tua carne?”

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